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Muita ajuda quem não atrapalha

por Luisa (dra) Mello em Novembro 24,2011

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Não sei se o aforismo já passou de moda, mas foi isto precisamente que pensei ao ouvir as palavras do Presidente da República, um dia destes.
Quanto ao modo, que me deixou perplexa: é mau cortar os subsídios de férias aos trabalhadores da função pública e pensionistas ou é ainda pior, face à equidade, estender este corte aos privados (sujeitos a despedimentos colectivos), numa de "ou há moralidade ou comem todos"? Quanto ao tempo, a inoportunidade foi flagrante: não é depois que o combóio foi posto em  marcha que se salta para o estribo. Aquela dita cuja intervenção de Cavaco Silva devia ter sido posta anteriormente ao que foi: não me parece plausível que, vinda de quem vem, não tivesse tido opinião formada "ab initio". Desculpem o latinismo, saiu de sopetão para o papel, que ainda não tem eliminação simultânea...
Abreviando, desde o começo do apontado nas críticas: O Presidente sempre foi um homem de tabús... Podia ter acrescentado mais este, que ainda por cima se me apresentou um bocado dúbio e a muita mais gente que tenho ouvido. E se as oposições "desalinhadas" lhe põem a faca ao peito e exigem que vete o Orçamento?! Veta? Diz que bem queria mas não pode? A sua coerência nem sempre é o ponto forte, só que falta de coerência, não sendo falta de carácter, é, pelo menos, ou falta de convicção ou oportunismo. Estou perfeitamente à vontade: 1) - votei Cavaco Silva; 2) - como pensionista da função pública, tenho vindo a ver a minha reforma congelada, ratada, ratinhada e agora suprimida. Estou mais indignada com quem lá esteve, que com quem lá está... mas é o que é.
l Não ando propriamente num dos momentos mais felizes da minha existência. Seria insensível se assim fosse. Seria insensata se não fizesse contas à vida. Seria cega e surda se não me apercebesse da quantidade de compatriotas que reagem contra a austeridade. Tenho a sensatez necessária para me interrogar: mas onde é que vamos arranjar DINHEIRO? E para achar que o desemprego é muito pior que a baixa de salários, ou os cortes nos subsídios. Também que os rendimentos do capital devem ser muito difíceis de caçar, enquanto vigorar a pouca vergonha dos off-shores, paraísos fiscais e similares. Fogem que nem jaquinzinhos entre as malhas da rede! Haja vontade política para os pescar, nem que seja com cargas explosivas de fiscalização aos "jaquinzões" da nossa praça, adeptos indecentes da chama da teoria do micro--ondas: uns aquecem, os outros comem...
l Deu a travadinha ao capitão de Abril, senhor Vasco Lourenço! Que discursozinho escaganifobético! (fui ver ao dicionário e a palavra já não existe... Quer dizer mirabolante, no mau sentido). Não lhe terá passado pela despenteada cabeça que um governo, por mais cúpido, venal, corrupto, megalómano, irresponsável, inapto, trampolineiro que seja, não pode ainda assim produzir em três meses e meio os ESTRAGOS que nos levam ao sufoco presente?! Ainda a tempo: Otelo enlouqueceu de vez. A sanidade mental nunca foi o seu forte... Ponham-lhe um açaime!
 n LM - 24-10-11

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