Grandes expectativas amargas desilusões
Está decorrido um ano dos cinco que cumprirá exercer a Nicolas Sarkozy, como Presidente da República Francesa. Tive ensejo de, então, acompanhar bem de perto a decisão eleitoral que, naquela altura, os franceses eram chamados a tomar. Dificilmente seria possível encontrar reunidas tão excelentes condições ensejadas por um mandato político, como aquelas que então se perspectivavam. A França mostrava-se cansada, desejosa de mudar. Sarkozy apercebera-se a tempo e horas desse irreprimível anseio de mudança de rumo. Tornara-se necessário apresentar aos franceses uma nova e mais dinâmica capacidade de provocar aquilo que o novo protagonista apelidou de ruptura. Bem mais do que uma “ evolução na continuidade” impunha-se a “descontinuidade sem revolução”. A maioria acreditou e nada mais nada menos que 3 milhões de votos fizeram a diferença entre os que votaram pelo que estava e aqueles que desejavam que se votasse pelo que se queria diferente do que era. O futuro batia à porta do presente, sem complacência. Aconteceu, todavia, que não se revelou fácil transformar os desejos em realidade. Revelou-se bem mais difícil do que parecia. A história voltou a repetir-se comandada pela ilusão dos slogans : anteontem aqui, através de já recordada “evolução na continuidade”; ontem bem longe a reboque da “ perestroika e da glasnost”; agora nas margens do Sena, segundo o prometedor incentivo “trabalhar mais e produzir melhor.” Nada disso aconteceu. Aqui iludiram-nos com a continuidade envolta pelo manto diáfano de imã suposta evolução. Além, acenaram-nos com a liberdade e promoveram o regresso à plutocracia. Agora, Sarkosy não conseguiu que se produzisse mais e se trabalhasse melhor; bem pelo contrário: a produção marcou passo, os ganhos estacionaram e o ritmo do trabalho manteve-se. Tudo, ou quase tudo, continuou como estava. E mostra pouca vontade, e sobretudo capacidade, de deixar de ser como era. Resultado: não mais do que doze meses foram suficientes para transformar grandes expectativas em amargas desilusões! Ora todos sabemos que a actividade política é prenhe de mudanças draconianas. O Capitólio mantém-se sempre à ilharga da Trapeia ou, para sermos mais realistas, a Trapeia está sempre à espreita do Capitólio (porque sempre é mais fácil descer do que subir…). Por isso, nada nos garante que algum tempo mais decorrido o marido da senhora Carla Bruni não volte a cair nas boas graças dos franceses evidenciando a capacidade de galgar triunfalmente as barreiras que já demonstrou saber ultrapassar com maestria e desenvoltura. Seria lamentável que tivéssemos de recordar Tayllerand a propósito de Napoleão: é sempre penoso verificar que um homem de tão grandes qualidades não seja capaz de superar pelo menos alguns dos seus mais reconhecidos defeitos. n MJHM (Director Honorário SP)
(Director Honorário SP)
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