CLUBE DA VENDA NOVA: NÃO VALE A PENA UNTAR O HOMEM COM TAIS EPÍTETOS!
Palavras duras, pungitivas, emolduraram gritos de revolta e indignação lançados na efervescente Assembleia do Clube, que fizeram lembrar o Maio de 1968, agora aniversariado. E têm alguma razão! Porque sentem que o povo que os elegeu foi espoliado, ultrapassado contra a mão. Afogueados, os tribunos verberaram o procedimento do Secretário da Justiça, que retirou a Águeda um tribunal que só faltava instalar. “Roubaram o tribunal de grande instância cível”, vociferou o Professor Martírios dos Populares - o Secretário de Estado, que ainda por cima tem a mania que é conde, é um tra…”. “Fulha...”, continuou o Armando de Óis. Aquela expressão incendiou os colonos da sala e das galerias, que entraram em catarse, gritando: ”Trapaceiro, garotito, aldrabão, traidor!…”. O Fernando Granizo entrou tarde nas galerias, ouviu o alarido e disparou em alta voz: “Ordinário!...” Sentou-se e perguntou ao Raul do Apito: “A quem é que estão a dirigir-se?” “É ao Secretário de Estado que levou de cá o tribunal de alta instância de qualquer coisa…”, respondeu o Raul. “Ó diabo!... Esse é socialista, mas o Armando de Óis está a fazer barulho… também faço “, comentou o Fernando Granizo. “E além disso, acho que qualquer homem se sentiria honrado com tanta gente a lembrar-se dele, mesmo a chamar-lhe nomes!” “Mas eu entendo que não vale a pena estar a untar o homem com tais epítetos”, disse o Hilariante Santos. “Temos que arranjar uma task-force que se mostre em marcha lenta, com bombos e pandeiretas e vamos daqui até Lisboa! Vamos, vamos!!!...”. “Está bem, mas temos que parar em Pombal para merendar”, interrompeu o Amílcar Granizo. O Gil Pedalais pediu silêncio e disse, empertigado: “Proponho uma moção conjunta, suave, em termos eufemísticos, em que se diga, em vez de trafulha, deselegante e em vez de garotito, que agiu com falta de ética. Uma coisa assim!!!...” “Eu não assino nada disso - disse o Lenine, judiciosamente - esse documento seria uma forma encapotada de salvar o Governo e eles que se ponham a pau porque a nossa influência é grande e podemos deitá-lo abaixo”. “Muito bem - apoiou o José Oliva. Anda aqui mão do presidente do Clube de Anadia que consegue tudo, não sei como, o Pedalais tem que lhe pedir a cartilha!”. “Têm é que ir todos para a rua, desde o porteiro ao ministro, que não percebem nada de justiça!...”, gritou o Amílcar Granizo! O Zé Oliva passou a mão pela calva luzidia e rematou com convicção: “Eles até podem ir para a rua, mas enquanto lá estiver o de Anadia não vem nada para cá!...”.
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