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Clube da Venda Nova: Mandou descarregar o carro-de-mão aos pés do Hilariante Santos

por Redacção Soberania em Julho 14,2010

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O dia da Assembleia é um dia de emoções. De catarse para alguns, que envolvem no embrulho das politiquices picadas pessoais. Foi divulgado pelas avenidas da comunicação um panfleto com afirmações sérias contra o presidente do Clube, supostamente sustentadas em documentos. No dia da assembleia, à espera de investidas, o Gil Pedalais entrou no salão nobre como um gladiador, de armadura, elmo e espada, entrava no Coliseu de Roma. O Celestino de Almada abriu a sessão e logo pediu a palavra o Hilariante Santos.
“Queremos  saber, em face do que nos foi mostrado, o que é que se passa nos bastidores do Clube, se é verdade o que se diz. Quero que esclareça o que é escuro e que não escureça o que é claro. O que parece resultar dos documentos é evidente, não queira lá meter entrelinhas”.
“Sim... – continuou o José Oliva -  ressalta do que lemos que há pelo menos compadrio e nepotismo descarado, prebendas para amigos e correlegionários...”.
O António Martírios levantou-se e disse em tom exaltado:
“É de execrável pusilanimidade que alguém, que não dá a cara nem o nome,  traga à liça política  questões da vida pessoal. Mas, já agora, também gostava de saber se é verdade o que lá se diz.
O Pedalais, já de saco cheio,  pediu a palavra e manifestando indignação, respondeu:
“É tudo claro e transparente. Quem forneceu os serviços e materiais ao Clube foi quem ofereceu mais garantias e melhores preços. E se querem ter a certeza consultem as requisições, as facturas, os recibos e o que entenderem...”.
“Então vamos todos para a secretaria?”, perguntou o Lenine de Falgoselhe. “E como é que nós lá cabemos?!”.
“Não, não é necessário”,  disse o Pedalais, fazendo um gesto para a porta, por onde entrou o Raúl do Apito com um carro de mão, com a gamela cheia de papéis dispostos em maços, atados com um fio. Com outro gesto, mandou descarregar o carro-de-mão aos pés do Hilariante Santos, que se levantou num salto e clamou:
“Então propagam que este é o Clube mais informatizado do país e em vez de me mandarem os documentos por correio electrónico, mandam-nos de carro-de-mão?!  Eu não posso acreditar nisto!”

*** * ***
O Zé do Candeeiro estava abrigado debaixo do toldo da Trigal a agitar um papel que apertava na mão como se fosse um leque espanhol, para afastar o calor que se fazia sentir. Alargou os colarinhos e clamou:
“Vejam o que está aqui neste documento, é a conta da água. O Clube vendeu o abastecimento não sei a quem e o preço agora  é o dobro!
Desdobrou o papel e mostrou:
“Onde era um 3 está um 6 e onde era um 7 está um 14”.
O Luís Bastinhos, que não gasta água a vender roupa, zombou:
“Se calhar é melhor. Se você quiser encher uma garrafa de água do Luso com água da torneira, já não ganha nada...”.
-”oxa!  Eu nunca fiz isso – respondeu o do Candeeiro – mas não dá mesmo, que a água da torneira  está ao preço da água das termas, até já fui perguntar se há algumas aqui por perto”.
“Por causa do aumento da água, já  tive que subir o preço das barbas – resmungou o Acácio Queirós do Vale – cada ensaboadela fica em mais de vinte cêntimos”.
“E eu, se calhar, também tenho que subir as bateiras de leitão e acabar com o pão de água”,   disse o Joaquim da Trigal.
“E é assim que querem dar qualidade de vida às populações!”, continuou o Natas da Sapataria,  membro da Associação de Secos e Molhados. “Éé só ver passar gente de toalha às costas e sabonete na mão a caminho do rio. Já decidimos ir a Aveiro à companhia das águas reclamar do preço, isto é um desaforo!”.

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