As minhas costas têm a mesma dignidade da minha frente!
A Assembleia do Clube reuniu em plenário para debater um assunto complexo e delicado – o pagamento indevido a funcionários, ou seja, a saída de dinheiros ou contas de sumir. Houve várias intervenções, quase todas acaloradas, considerando a oposição, com agressividade, verificar-se culpa grave do partido do poder, que se defende: “Nós achamos que houve uma má interpretação da legislação e da mudança de posicionamento remuneratório a que os funcionários têm direito”, esclareceu, maciamente, o José Vidigal, acrescentando: “Ou, então, terá havido um lapso de escrita no preenchimento dos cheques!”. “Foi isso mesmo – continuou o Manuel Farás – e é evidente que se os funcionários tivessem recebido a menos, falavam, mas como receberam a mais, calaram-se!”. O Gil Pedalais, denotando algum embaraço, pediu licença e disse enfaticamente: “Eu assumo toda a responsabilidade política pelo sucedido, eu sou o responsável!”. O Hilariante Santos levantou-se num rompante, virou-se para a galeria repleta de assistentes e, porventura, de funcionários e de costas voltadas para a mesa da presidência disse com ar triunfante: “Como vêem, o presidente do Clube assume a responsabilidade. Se nós estivéssemos no lugar deles...”. Neste momento foi interrompido pela voz poderosa do presidente António Celestino de Almada que o advertiu: “Ó senhor deputado ou membro, como diz que é, não pode falar de costas voltadas para a mesa. Vire-se para cá, se faz favor e peça a palavra usando os termos regimentais: “Senhor Presidente, Senhoras e senhores deputados”... se assim não fizer, não lhe dou a palavra!” O Hilariante Santos, ao ouvir aquilo, respondeu com ar sério e voz redonda: “A palavra e o pensamento nunca se podem cortar e as minhas costas têm a mesma dignidade da minha frente! Estamos num regime democrático e de liberdades”. “Isso não é verdade – respondeu o presidente Celestino de Almada – se não estiver de frente não se lhe vêem os olhos. E se não usar os termos regimentais, não lhe concedo a palavra!”. “Também não preciso que me conceda a palavra, porque já falei, a pequena frase que proferi tem o significado de um discurso de muitas páginas – disse o Hilariante, acomodando-se na cadeira”.
*** * *** À entrada da Rua de Cima, em frente aos Seguros Folhas de Louro, foi colocada uma placa de trânsito, que parece ter um significado contraditório. Esse sinal proíbe radicalmente o trânsito nessa rua mas uma outra que lhe está adstrita tem a inscrição “para além de 10 minutos”. Chegou um turista com uma auto-caravana e parou com a frente em cima do pavimento peonizado e com a traseira na rotunda, a estorvar o trânsito. Perante o engarrafamento que provocou o buzinão de protesto dos carros que não podiam passar, explicou, num português arrevesado: “Eu estava para entrar na rua, vi aquela placa e eu acho que só posso avançara daqui a dez minutos...”. O Pedro do Tribunal que ía a passar, disse: “Ó homem, tire o carro daí, porque o que a placa quer dizer é que pode passar na rua, mas não pode estar lá mais do que dez minutos...”. Entretanto chegou um agente da polícia que esclareceu: “O sinal pode ser interpretado como quiserem, mas só aviso que quem passar é multado!!. O Zé do Candeeiro veio à porta e disse gaguejante: “Quem devia ser multado é quem pôs aí a placa, poxa!...”-
1141 vezes lido
|