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Clube da Venda Nova: Quem passa na auto-estrada vai a 200 à hora e nem para cá olha

por Redacção Soberania em Maro 04,2010

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Os deputados municipais ou membros da assembleia ou lá o que lhes quiserem chamar, refastelados  nos cadeirões de veludo, foram despertados pelo vozeirão do presidente,  que declarou aberta a sessão.
Motivados pela anunciada Agitagueda, estavam inquietos e mais ainda o António Martírios, que passou toda a sessão a saltitar, por causa do “mexe-te Barrô”.
Falou-se em dinheiro, em orçamento e em dinheiro que não cabia no orçamento, o que causou algum desconforto em certas pessoas, mas o que maior celeuma provocou foi a questão candente e incontornável dos acessos à cada vez mais recôndita Águeda, cidade.
O presidente Gil Pedalais pediu cerimoniosamente a palavra para anunciar:
“Como sabem está para se construir uma auto-estrada que passa aqui ao lado, na ponte de Espinhel, e é um elemento de interesse para a nossa terra, que vai trazer cá muita gente...”.
“Ora essa – interrompeu, com veemência, o António Martírios - não traz é cá ninguém, quem passa na auto-estrada vai a 200 a hora e nem para cá olha. E só serve para endividar as gerações futuras”. Tomou fôlego e continuou:
“Basta alargar a IC2 na Mourisca e fazer a ligação a Albergaria e alargar em Aguada de Baixo. E se não der para três ou quatro faixas, pode fazer-se um alargamento aéreo. Deixa-se a que está e faz-se uma paralela por cima das casas e dos pinheiros...!.
“Nem pense, é um disparate andar lá por cima das árvores”,  contrariou o Zé Oliva, dizendo que “isso ainda ficava mais caro e não tinham visibilidade por causa das nuvens”, pois “nós temos que defender a construção da A32, aqui não sou da opinião do meu companheiro de bancada Hilariante Santos, todos temos que defender essa abertura, os carros como o meu não se dão em estradas secundárias, com cães e vacas a atravessá-las.”
“Muito bem, gostei muito de o ouvir”, disse o Paulo Seara Alheia, que se levantou e afectuosamente lhe passou a mão pela calva: “Vê-se que é um homem sério, não é sectário”.
“Também gostei muito do que disse”, sublinhou enfaticamente o Manuel Farás, a ajeitar a capucha serrana: “Venha a A32 e as suas derivações, como a indispensável Águeda-Aveiro, nem que seja para 2015. Eu só gostava de saber por onde é que ela vai passar, para comprar uns terrenos para umas bombas de gasolina... para bem de Águeda, está claro”.
“Não é preciso esperar para 2015 porque aquela auto-estrada vai ter portagens”, informou, com voz sumida e angustiada o Gil Pedalais.
“Com essa é que eu não contava”, reagiu o Zé Oliva, acrescentando: “Se é para pagar portagens, vou-me sentar ali ao lado do António Martírios...”
“E eu também vou para o vosso grupo”, disse o Manuel Tampos de Espinhel: “Não quero mais estradas, nem auto-estradas, nem caminhos a passar em Espinhel, já temos ruído e fumo que chegue para nos intoxicar – levem isso para ao pé da serra, ficava bem era a passar por Belazaima...”.
“ Estas conversas só servem para nos distrair em vez de tratarmos dos assuntos que nos dizem directamente respeito”,  disse o Lenine de Falgoselhe, vigoroso: “Passa-vos pela cabeça que se eles lá em cima quiserem fazer uma auto-estrada, não a fazem? Então os senhores pensam que eles alguma vez a abriam até Avelãs do Caminho, limite do concelho e  emendavam-na aqui no existente  IC2, como quem passa por um funil e só  continuavam com a auto-estrada em Albergaria?! Ora, deixem-se de romantismos!”.

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