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Temos que fazer oposição nem que lhe custe

por Redacção Soberania em Dezembro 09,2009

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O Presidente Celestino de Almada, cofiou a barba grisalha, passou a mão pelas cãs, apoiou os punhos na mesa, olhou os membros da assembleia do Clube, todos bem acomodados em lugares seleccionados segundo as cores de cada um, e falou em tom arredondado, melífluo, mas com voz grossa suavemente metalizada:
“É a primeira vez que governo um areópago tão nobre, com excelsas - e olhou para a dita da Corga - doutrinas, ideais e objectivos, que tocam o nosso povo. Como sabem, a vida é como um comboio...”.
“Pare aí, por favor - interrompeu, gaguejante, o Heitor Carapuço - essa já ouvimos muitas vezes...!.
“Está bem - aceitou o Celestino de Almada, que, encolhendo os ombros, continuou:
“Estou habituado a debates calorosos e a respirar no meio de tempestades de palavras, só não admito, cá dentro, é que partam as cadeiras e outro tipo de violência, embora não me furte a ela. Já uma vez, perto de Coimbra, no Carqueijo, num jogo de futebol...”.
“Essa também não, ó presidente - gritou o João Piedoso, da mesa do Executivo - que já a ouvimos...”.
“Então vamos ao que cá nos traz e passo a palavra ao Gil Pedalais, que hoje, para honrar esta Assembleia, vem bem aperaltado, com fato afiambrado, gravata de seda vermelha e sapato Latosse”.
“Ora - começou o Gil, depois de apresentar cumprimentos a todos os que enchiam o salão nobre e abrindo as mãos em palma - eu peço a vossa compreensão, agora e no futuro, para dar sempre razão ao executivo, evitando, assim, dissensões graves e discussões inúteis”.
“Isso nunca!... - gritou o Hilariante Santos - temos que fazer oposição, nem que lhe custe, se não, não temos visibilidade nem protagonismo e nas próximas eleições ainda temos menos votos! Por exemplo, hoje temos que votar contra a vossa proposta de taxar o IM pelo máximo!”.
“Mas se não for assim - contrapôs o Gil  Pedalais - não temos dinheiro para obras!”.
O popular centrista António Martírios, pediu a palavra, subiu ao púlpito e declarou:
“Tem que haver equidade, as taxas não podem ser iguais para todos. Para Barrô, onde não fazem obras e onde eu tenho uns terrenotes, tem que ser mínima; para as freguesias que estão à espera de obras, tem que ser média; e aquelas onde estão a fazer obras, tem que pagar taxa máxima!”.
“Mas... - interrompeu o Paulão Seara Alheia - se fizerem uma estrada, todas as pessoas de todas as freguesias lá passam e numa fonte a água é para todos...”.
O Lenine de Falgoselhe, reflexivo e até aí então muito calado, levantou-se e rematou com ar grave:
“Juridicamente tem razão. A junta de freguesia, através de uma postura, criava uma alcavala e aplicáva-a a quem passasse na estrada ou bebesse água!”.
O Gil Pedalais, surpreendeuse e disse com regozijo: “Ora aí está, está a dar-me razão! Somado o imposto com a alcavala, tinham que pagar muito mais!”.
E assim, olho esfregado pela diabo, foi aprovada a proposta.

***********

Entretanto, à porta do quartel dos Voluntários da Agulheta, o Manuel Farás e mais  três ou quatro elementos do grupo dos Montanheses, de Belazaima, faziam projectos para a ceia de Natal daquele grupo, falando dos preparativos.
“Já comprámos um porco turco e uma toura Charolesa  para o cozido, um porco de raça beirã para as chouriças,  morcelas e rojões, um saco de batata Runbaner e um de arroz carolino. Quanto à hortaliça, não temos que nos preocupar, já nos ofereceram a couve das Cavadas. Ouvi dizer que tem cinco metros de altura...”.
“Ora, isso não dá para nada - disse o Francisco das Modinhas - vi a fotografia dela no jornal e só tem troço e quatro folhas”.
De súbito, desceu apressadamente as escadas do quartel, galgando três degraus de cada vez, o José Neves dos Cantos, que ia chocando com eles. Parou a arfar e disse:
“Venho da Assembleia do Recreativo do Redolho e até parece que me querem linchar e eu sem fazer nada! Só perguntei se havia alguma lista para a direcção!”.

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