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O HÁBITO NÃO FAZ O MONGE

por JOSÉ NEVES DOS SANTOS em Abril 26,2008

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O folhetim em que se está a transformar o Tribunal de Águeda conheceu, há um mês, um novo capítulo: Gil Nadais, presidente socialista da Câmara, escreve ao Chefe do Governo, José Sócrates, ameaçando “mobilizar o população, caso não seja reposta a solução que cumpre as linhas orientadoras da Nova Organização Judiciária”, anunciadas pelo Secretário de Estado da Justiça e onde Águeda passaria a ter um Juízo Cível de pequena e média dimensão, um Juízo Criminal de pequena e média dimensão, Juízos de Trabalho e grande instância cível e instrução criminal”.
Gil Nadais, na missiva, exigia “a correcção da proposta apresentada por José Sócrates a 18 de Março, que gravemente secundariza o Tribunal de Águeda no novo mapa judiciário, sob pena de se estar perante um governo que não tem rumo e não respeita a democracia”.
Trinta dias já passaram depois desta carta ter sido capa dos jornais da região e não se conhece qualquer resposta de Lisboa à ameaça que ela, preto no branco, transportava. Muito menos se vislumbram quaisquer alterações à amena relação que a Câmara sempre teve com o governo de José Sócrates: depois deste episódio, vieram a Águeda o Ministro das Obras Públicas (inaugurar a lápide da nova auto-estrada para Aveiro, na rotunda do Millenium) e dois Secretários de Estado estiveram nas jornadas administrativas dos serviços municipais, elogiando o trabalho realizado pelo chefe do Executivo.
Chegados aqui, a questão que é legítimo colocar é a de saber o que vai fazer a Câmara de Águeda se o Primeiro Ministro e o seu Governo não corrigirem o mapa judiciário - se fica tudo na mesma e “amigos como dantes”, seguindo a lógica política provinciana do “tempo passa e já ninguém se lembra”?
É, assim essencial, saber da resposta de José Sócrates - está em jogo o crédito da autarquia, o respeito pelos eleitos do poder local, a defesa do lugar que Águeda tem que reclamar na comunidade regional.
Esta carta de Gil Nadais ao Governo é um teste crucial à coerência política do órgão da autarquia a que preside: se recuar no que foi escrito, não vale a pena tocar o sino a rebate e as consequências no prestígio de Águeda nos órgãos de política regional onde, por direito próprio tem assento, serão inevitavelmente confrangedoras.
O hábito não faz o monge. E o povo, esse, já não corre atrás de foguetes. E tu, Beatriz, ainda corres?







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