Política: As relações da Câmara com Agadão e a mimosa do Centro de Canoagem
“A Câmara Municipal de Águeda tomou conhecimento, através da missiva que anexamos, de afirmações caluniosas e do levantar de suspeições sobre a forma como esta Autarquia gere os destinos do Concelho. É patente que o objectivo da Junta de Freguesia de Agadão foi apenas de caluniar o executivo camarário e as pessoas que o representam, porque nunca foram suscitadas quaisquer dúvidas sobre processos, metodologias ou outras, em sede própria. A Câmara Municipal de Águeda, neste contexto, informa que manterá com essa Junta de Freguesia as iniciativas indispensáveis para o normal funcionamento das entidades, não deixando de estar junto da população na resolução dos seus problemas e necessidades”. É assim, e nestes precisos termos, que o presidente da Câmara Municipal de Águeda, em carta de 30 de Janeiro deste ano, “puxa as orelhas” ao executivo de Agadão, reduzindo as relações concelhias ao indispensável expediente da caixa do correio. Embora solicitado, os serviços camarários não foram autorizados a divulgar a “missiva” a que alude o chefe da autarquia aguedense e também, na recente conferência de imprensa, a social-democrata e chefe local dos “laranjas” Paula Cardoso, não divulgou essa “misteriosa e caluniadora” carta, enviada ao 1º. Ministro Passos Coelho pelos seus correligionários da autarquia de Agadão. No provinciano folhetim em que se vem transformando as relações PS/ /PSD, esta histórica carta ao 1º. Ministro mostra a degradação a que chegou a prática da nossa política, o círculo vicioso em que se movimenta e as teias de procedimentos onde caiu. Porque, se não fica bem a um autarca de uma freguesia escrever ao Chefe do Governo da República, queixando-se da sua Câmara (e quem sabe das razões submersas dos seus conselheiros) quando tem ao seu dispor e no concelho, outras tribunas para o fazer - a “emenda” a este “soneto”, vinda do chefe da edilidade peca por arrogância, algum desnorte e, legitimamente, será interpretada como gravemente penalizador das obras de uma freguesia. Enquanto o Povo de Águeda assiste a mais este pobre episódio entre quem já governou e quem agora governa, cresce ali, mesmo no início dos degraus da escadaria exterior do Centro de Canoagem, uma vistosa e florida mimosa, já lá vão seis longos anos. Nesta altura anunciadora da Primavera, há quem diga que ela só está a chamar a atenção de todos nós para a dor e tristeza que sente em habitar um edifício que, devendo servir a população e a sua juventude, está, afinal, abandonado e à mercê da vagabundagem. Retrato de um tempo político, como a mimosa se sentiria feliz em sair dali, sabendo que, finalmente, a sua antiga casa abria as portas de par em par, dando vida e abrigo a um desporto tão caro a tantas gerações de aguedenses. Beatriz, não tenhas medo, sonha alto e vêm daí remar nas puras águas do Botaréu! n JNS
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