País, política e cronograma
Políticos e obras, palavras e factos, nem sempre andam de mãos dadas e caminham ao mesmo tempo. Da esquerda à direita, de norte a sul e por esse país fora, a política, e quem a exerce, muitas vezes mentem, outras demagogicamente se justificam e quase sempre desrespeitam os prazos, no cumprimento e execução de obras públicas, sejam elas de âmbito nacional ou regional. Portugal tem ainda hoje uma administração central burocratizada, escondida em armários de muitas “capelinhas” e direcções gerais no Terreiro do Paço, e que emperram decisões de qualquer governo. Paralelamente, a administração regional, pese embora o espírito nobre de proximidade com as autarquias, parece que não avança nem recua, sempre à espera da conveniência do ministro, do interesse do secretário de estado ou, pior ainda, fechada em copas até às eleições. Também Águeda e a sua administração, ao longo dos anos, se movimentaram neste terreno político hierarquizado daqui até Lisboa e em que só há resposta ao pretendido quando as vozes se levantam, os sinos tocam e a população sai para a rua. Mas diga-se, em abono da verdade, que muitas das obras que a Câmara de Águeda hoje tem em curso, se estão atrasadas - da carta educativa à regeneração urbana e zonas industriais - a responsabilidade lhe cabe por inteiro: a comparticipação do QREN (sempre acima dos 75%) estava disponível, o PS tem maioria absoluta no executivo há sete anos, o governo de Sócrates acompanhou-o durante seis, e, ao que consta, o novo governo de Passos Coelho não fechou a torneira, quanto ao essencial! Nadais, o presidente da Câmara, tem, assim, um último desafio até às eleições: concluir as obras que tem em curso e arranjar boas desculpas para as que não conseguiu sequer começar! A via-rápida Águeda-Aveiro, o Hospital, o Tribunal, o Centro Coordenador de Transportes, são obras que ficaram para trás. E foi pena: o vento estava de feição, Águeda e a sua gente motivada e disponível a acompanhar a sua Câmara para o que fosse necessário. Agora no futuro vai ser mais difícil: a crise está para durar e até o ânimo da luta vai esmorecer. Por sorte o diploma da reforma administrativa, que por ora só tratará das freguesias, afasta para já a hipótese de Águeda vir a ser incluída num concelho limítrofe. Mas se Agadão se virar para Mortágua e Fermentelos para Oliveira do Bairro, quem responde politicamente por isso? Boa semana, Beatriz!
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