CLUBE DA VENDA NOVA: POR FALAR EM ZONA HÚMIDAS JÁ ME ESTOU A SENTIR MOLHADO
O George Americano, comissário do Clube da Venda Nova, inspector-revisor das obras, detector de todos os defeitos e carências, andava a percorrer as estradas do concelho, de chapéu largo, botas cardadas e camisa de ramagens, acompanhado do vereador responsável. O Filipe Selva, de Jafafe, viu-o acocorado a olhar para um dos muitos buracos da estrada de Macinhata e gracejou: “O que é que anda a fazer, anda à procura de petróleo?”. “Não, ando aqui numa tarefa difícil - respondeu o Americano - mandaram-me contabilizar os buracos das estradas do concelho… Veja lá!!!...”. “Devem ser alguns milhares... - disse o Filipe - mas disseram-lhe para quê?”. “É que, como estamos em tempo de contenção de des-pesas e não há dinheiro para tapetes novos, cada buraco tem que ser tapado com uma pázada de alcatrão, temos que saber quantas pazadas são!...”, disse o George. “Mas o pessoal que é preciso para esse trabalho, e é muita gente, daria para pagar a uma máquina!”, atalhou o Filipe Selva. “Isso é verdade - respondeu o Americano, pondo-se de pé e
limpando o suor da testa - mas temos que dar emprego, contribuir para a diminuição do índice de desemprego, que também é uma preocupação do Clube”. “É certo que o investimento público contribui para a criação de emprego - continuou o João Piedoso - além destas importantes obras de limpar e consertar as estradas, temos as grandes obras da muralha do rio. E mais uma coisa vos anuncio, as palmeiras da avenida do tribunal vão ser mudadas para a beira do rio, para se criar ali um ambiente tropical”. “Só isso vai dar trabalho a muita gente e por muito tempo - concluiu o Filipe - como não podem plantar as palmeiras em cima do cimento, têm que rebentar aquele pavimento todo, que foi posto há tão pouco tempo!”. “Sabem que Águeda é muito procurada para reuniões e congressos. É muito hospitaleira. E agora, até porque tem muita humidade, vêm aí cientistas, ambientalistas, biólogos e políticos reunir por causa das Zonas Húmidas…”. “Por falar em zonas húmidas já me estou a sentir molhado - disse o George Americano, a coçar-se - é melhor não anunciarem esse evento, porque com esse nome até pode ser mal interpretado!”. O Dr. Fausto Olivença, sempre atento às grandes realizações da cidade, dedicou este poema ao Encontro de Zonas Húmidas: Para discutir as Zonas Húmidas! Há em Águeda grande evento/Que mais parece um casamento/Tantos são os convidados. Políticos e cientistas/Virão a esta cidade/ E por causa da humidade/Não há secos. Só molhados!
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