header Incio | Pgina inicial | Adicionar aos favoritos |
Pesquisar Jornal   Pesquisa Avanada »
Seces
Arquivo
2 3 4 5 6 Sab Dom
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

Notcias no seu Email
Subscrever Newsletter

Votao: Férias
Onde pensa passar férias em 2014?
Portugal
Estrangeiro
Não vou tirar férias
Resultados de votao | Votaes antigas


email Recomendar a um amigo | print Imprimir |

Opinião: A entrevista de Gil Nadais

por Paulo Matos (Dr.) em Setembro 06,2012

image
No regresso ao centro da cidade deserta e esventrada por obras em segunda empreitada, atrasada e penosa para o comércio local em agonia, em finais de um “Agosto em Águeda sem Programa”, mas engalanado pela cor bonita dos chapéus de sol da baixa, e já com o cheiro a bácoro no ar, anunciando mais uma Festa do Leitão cujos dezanove anos de labor e sonho da nobel Associação Comercial de Águeda se saúdam, partilho um pequeno comentário sobre a última entrevista de verão do presidente da Câmara de Águeda a este semanário.
Há sete anos atrás (2005), em plena governação nacional de Sócrates, Gil Nadais prometeu “plantar a árvore” da “mudança” para o concelho de Águeda, assumindo-se como o seu agente.
Entre 2008 e 2011, com a crise das dívidas soberanas, a queda de Sócrates e a entrada do novo Governo PSD, a prometida mudança apareceu como uma “árvore cortada” e, por força da intervenção externa da Troika e da falta de sintonia entre a governação local (PS) e o Governo do PSD, a incapacidade de construir um “concelho novo” passou, num ápice, para a responsabilidade dos poderes centrais.
Segundo Nadais, todos os infortúnios que acontecem ao concelho de Águeda são culpa do Governo, incluindo os projectos que em seis anos de Sócrates (e de sintonia com o poder socialista em Águeda) não lograram sucesso (ligação rodoviária Águeda-Aveiro, ligação à auto-estrada, requalificação das urgências do Hospital de Águeda, Tribunal novo e perda da Grande Instância Cível para Anadia, o centro coordenador de transportes) e todos os sucessos são obra sua.
Na estratégia de Nadais, o desenvolvimento do concelho já não depende da Câmara, da sua iniciativa e da sua capacidade de investimento, mas do perigoso Governo “neoliberal” de coligação PSD-CDS, que reafectando os fundos comunitários pela via da reprogramação do QREN torna incerto o financiamento da obra projectada para Águeda.
Gil Nadais aparece hoje, na melhor técnica de propaganda política, como o agente da poupança e o arauto da construção do futuro, administrando uma Câmara Municipal que tem as contas equilibradas, porque o contribuinte pagou taxas máximas de IMI nos últimos sete anos e porque funciona como uma espécie de delegação de Bruxelas que “inventa” obras (Ex: de regeneração urbana da cidade) para ocupar fundos comunitários, com financiamento externo garantido a 85%, ainda que tais obras não sejam necessárias, nem prioritárias, nem consensuais, nem urgentes.
Gil Nadais actua hoje como um “funcionário” que apresenta os investimentos do poder central na requalificação de escolas em território das freguesias, como se de obra sua se tratasse.
Gil Nadais, o homem da promoção da cultura, não explica como está actualmente a relação com a d’Orfeu e porque num tempo de fusões e economias de escala programa uma “incubadora cultural” para um espaço de lazer como Alta Vila e não a integra no projectado Centro de Artes.
Gil Nadais, o homem das parcerias com os agentes económicos e com as empresas, não explica porque adquire, sem projecto, um imóvel por 470.000 euros (antigo edifício da Pensão Santos) e já vai no segundo ou terceiro destino de ocupação que lhe quer dar, incluindo o mais recente de fazer obras (de 500.000 euros) para o adaptar à “incumbadora de empresas” (até agora sem grande sucesso), sem explicar porque não a enquadra no Parque Empresarial do Casarão.
Gil Nadais, que sobre a “reorganização administrativa” do país refere que - “devíamos pensar o país no seu todo e não reagirmos porque a isso nos obrigam (troika)”, não explica porque não pensa o concelho também no seu todo, emitindo parecer sobre a sua visão para a eventual fusão de freguesias, em vez de se esconder por debaixo do receio dos custos eleitorais, preparando-se para também aí culpar o Governo.  
No mesmo sentido, na opinião de Nadais, a falta de obras em água e saneamento é culpa da AdRA, o atraso no Polis da Ria é culpa do Governo, como é culpa do Governo a falta do posto médico em Travassô, as obras no Hospital de Águeda, o Museu Vivo na Sernada e, last but not de least, o caso do “Centro de Canoagem” é culpa dos Tribunais.
Curiosamente quem anuncia como método “democrático” de governo o “orçamento participativo”, gere com discriminação negativa e à revelia da regulação administrativa, relações quase contenciosas, por delito de opinião, com duas Juntas de Freguesia - Valongo do Vouga e Agadão - impondo “relações formais e institucionais” com as mesmas.
Este presidente que gere a Câmara culpando terceiros pelos insucessos é o mesmo que rejubila com o superavit do número de árvores plantadas (no Parque Empresarial) sobre o número de árvores abatidas (na avenida Eugénio Ribeiro) e assume a paternidade de sucessos anunciados como “Águeda no mapa das cidades inteligentes”, o investimento do LIDL, a bicicleta eléctrica e a nova unidade hoteleira.
Resta saber se com esta forma de governar o concelho o povo não lhe oferecerá, nas próximas eleições autárquicas, um guia de marcha que inclua um IPAD e uma bicicleta eléctrica para rumar ao Parque Empresarial do Casarão e criar uma empresa de eventos (para organizar o Agitágueda), ou, quiçá, não lhe reserve uma suite no novo hotel, podendo daí voltar à actividade privada onde como psicólogo foi feliz.
n PAULO MATOS (Advogado e membro da Assembleia Municipal de Águeda).

1249 vezes lido

Gostou deste artigo?

1 2 3 4 5 Resultado: 4.69Resultado: 4.69Resultado: 4.69Resultado: 4.69Resultado: 4.69 (total 13 votos)
Os artigos mais lidos
Os artigos mais divulgados