Ginásio na praça é um erro da Câmara
Entre os muitos erros urbanísticos cometidos em Águeda, mais na linha dos interesses especulativos e lucro fácil, do tempo dourado do imobiliário e que tinham na decisão política camarária a cúmplice deliberação de “aprovado, não obstante o parecer técnico”, um deles, hoje e actual, parece-nos ser a remodelação do debilitado pavilhão do GICA (Ginásio Clube de Águeda), na baixa da cidade e implantado, como se sabe, no coração da “praça” do concelho.
E se neste caso em apreço, aparentemente não se descortinam quaisquer interesses pessoais dos decisores políticos, já é criticável a deliberação política da Câmara, mantendo o pavilhão no mesmo local, atrofiando um amplo espaço, de características singulares para a realização de múltiplos e abertos eventos. A revisão do PDM levada a cabo pela autarquia, a existência na zona envolvente do estádio municipal de terrenos públicos disponíveis e com um projecto oportunamente aprovado e levado a concurso seria, só por si, razão bastante para que o Ginásio tivesse atravessado o rio e, na sua margem esquerda, aí continuasse o seu percurso de vida, num trabalho singular de muita dedicação à comunidade aguedense e merecedor, até hoje, de muitas coroas de louros para o concelho e para o País. Mas a Câmara assim não entendeu e a oportunidade do GICA ter um pavilhão novo e de raíz, materializando um lógico complexo desportivo - GICA, Estádio Municipal, Clube de Ténis - de Águeda foi por água abaixo. E por água abaixo também foram as verbas do Instituto de Desporto de Portugal, que pagaria o essencial da obra, se a candidatura tivesse sido apresentada. Nem sempre a política segue um amplo horizonte, o que é uma pena. Quanto mais enviesado é o caminho, menos se vê o que está à nossa frente. Sobe ao monte, Beatriz. - JNS
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