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Águeda, uma cidade cercada?

por José Neves em Setembro 01,2010

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“Política é o governo da cidade”, dizia Aristóteles, na  organização e na resolução dos interesses da urbe e dos seus cidadãos. E acrescentava que isso se devia realizar na moral, na ética, na sabedoria e no respeito pela justiça.
Se no seu tempo o filósofo grego tinha razão, mais actuais  e verdadeiras são hoje as preocupações a ter no respeito por esses valores, quando olhamos para  a falta de coerência entre o que os políticos apresentam em campanha eleitoral e a sua prática, depois de eleitos e  sentados na cadeira do poder.
Afinal, nos dias de hoje, que tipo de interesses tem a Cidade e que caminhos perseguem os políticos para os resolver?
Esta é a questão central: Analisar se no exercício das suas funções, os eleitos privilegiaram  a  Cidade e o seu Povo, o equilíbrio do seu desenvolvimento, na concretização de janelas largas para todos, ou se enviesaram pelo caminho dos interesses individuais de alguns cidadãos ou de grupo, em flagrante prejuízo da cidade e no desrespeito e violação criminosa pelos juramentos  das campanhas e programas  eleitorais.
Águeda, cidade aniversariante, não se orgulha de sempre ter merecido uma  governação virada para o bem comum, liberta de ínvios interesses e que hoje fosse uma cidade em harmonia com os seus cidadãos: na arquitectura, na ocupação dos solos, na facilidade com que se chega e se encontra o que nos faz falta.
Infelizmente assim não é, e agora  não é possível passar uma esponja nos erros de planeamento que estão à vista de toda a gente e que tem, na zona dos Paços do Concelho, o exemplo de especulação imobiliária que ficará como o marco negro de uma politica  cega.
Mas não pode a política de hoje repetir tentações do passado, que fragilizaram a cidade, esquecendo  a  atenção  devida aos seus habitantes, voltando costas à sua opinião e discricionariamente tudo resolver naquela linha do posso, quero e mando.
A localização e instalação dos Serviços Públicos na cidade, uma outra utilização dos Paços do Concelho e eventual construção de uma nova Câmara - libertando-a do “cerco” envolvente que certa política lhe criou - mais cedo ou mais tarde virá à ribalta da ordem do dia e uma solução será encontrada.
Porque para uma Cidade cercada, há sempre uma segunda oportunidade.
Como na vida, não é Beatriz? n JNS

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