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O rio Águeda à espera da política

por José Neves em Julho 28,2010

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Aí está, à beira do rio Águeda, mais uma edição da concentração anual das festas da Câmara, o Agitágueda, sem sinais de crise ou sintoma de que a autarquia não pague os cachês aos participantes.
Animar o período estival, ocupar a juventude em férias escolares ou à espera do 1º. emprego, aproximar a população do rio e não ficar atrás do que se faz nas redondezas - tem sido assim desde a 1ª. edição e, parece querer seguir, no futuro, pelo mesmo caminho.
Mas se o objectivo político da autarquia aguedense era aproximar a cidade do rio e o seu povo para que ele olhasse numa contemplação de abraço, serenidade e atenção, muito há ainda a fazer para que essa gratificante nostalgia entre no quotidiano de quem com ele se cruza e fique na memória dos que, alguma vez, o admiraram e sentem a saudade de lá voltar.
A politica é, assim, essencial para tornar o rio urbano, limpo, asseado, digno do elogio dos poetas, à altura da requalificação tão apregoada nas parangonas dos cartazes em tempo “eleiçoeiro”, mas tão pouco à vista quando, pés no chão, se caminha nas várzeas de Águeda ou de Espinhel e se percorrem as suas margens, desde a nascente, nas faldas da serra do Caramulo, até à foz, no rio Vouga, em Eirol.
Barragem da Redonda, açude-ponte em Águeda, emparcelamento dos campos agrícolas, edifício da Junta Nacional dos Vinhos, pavilhão gimnodesportivo da zona envolvente do estádio municipal, são os projectos nucleares para o rio Águeda ter vida longa, a política cumprir o prometido e a natureza ser reconhecida por este rio que nos trouxe, amigo e companheiro de Águeda, menina e moça, e hoje já cidade e candidata - quem sabe? - a capital regional.
A política de Águeda não pode adormecer à sombra dos resultados eleitorais e muito menos concluir que a elevada afluência à festa é um referendo positivo e intercalar, à Câmara socialista de Gil Nadais.
 Há cinco anos que se anunciam projectos, se apregoam milhões em verbas do QREN, se fazem mapas, projecções e declarações. Águeda teve, até, a visita de Sócrates, então 1º. Ministro de um Governo de maioria absoluta, mostrando vontade em apoiar e acelerar processos.
 Não tem, hoje, a Câmara de Águeda preocupações com a água e saneamento - entregues, como se sabe, à empresa Águas da Região de Aveiro - a AdRA.
A Câmara ficou, também por esta deliberação da Assembleia Municipal, mais disponível para fazer e concretizar as obras do rio, fazendo dele uma marca e uma imagem à altura da capacidade da sua indústria, do seu tecido empresarial, e abrindo, desse modo, uma porta de entrada com os pergaminhos que todos os aguedenses desejariam.
 A festa é boa: mas é sempre efémera, quando a obra feita a não merece.
E quando os foguetes se não justificam, o alarme soa a falso e os mordomos podem ficar num beco sem saída.
Boas notas, Beatriz! n JNS

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