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Águeda já não é o país!

por José Neves em Agosto 31,2011

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Se geograficamente Águeda não é o País, tempos houve em que a política aguedense tinha um peso importante em Lisboa, os problemas atendidos em tempo útil e legitimamente se concluía que a voz do Botaréu era ouvida no Terreiro do Paço.
Com o 25 de Abril, a Democracia e a Liberdade, Águeda elegeu os seus autarcas: O PSD esteve 30 anos à frente da Câmara e o PS já vai em seis.
E se é justo afirmar e reconhecer que o poder local muito fez, até hoje, pelo concelho e sua população, valeria a pena questionar sobre o que teria sido possível ainda concretizar, indagando das razões para que tal não tivesse acontecido.
Basta para isso reler os programas eleitorais dos partidos que se apresentaram a eleições, em particular do PSD e do PS, relembrar as promessas de palanque dos seus candidatos e concluir que a política aguedense facilmente se esquece do prometido e se afasta da tão necessária confiança e respeito do eleitorado.
Ora a confiança política dos aguedenses em quem governa não pode reduzir-se apenas à confiança partidária, seja o partido do poder, ou o partido da oposição, só porque o primeiro dá emprego aos “boys” e o segundo promete dá-lo, quando para lá voltar.
E esse é o erro, anos a fio cometido, porque a confiança em quem governa constrói-se na atenção permanente, e sem tréguas, que a Câmara tiver pela Educação, pela Saúde, pela água, pelo saneamento, pelo emprego e pelas outras vertentes da vida colectiva.
Ora, esse cordão umbilical de confiança entre eleitor e eleito foi-se perdendo perigosamente entre nós, ficando a sensação de que os aguedenses estão a ficar abandonados à sua sorte - se exceptuarmos o muro do rio, nenhuma outra obra de importância se concretizou: nem a compra do cinema, a construção de um novo hospital, um tribunal novo e, até, a água e o saneamento passaram para Aveiro.
As recentes notícias de falta de dinheiro para as intervenções na urgência do hospital e as obras da Escola Secundária Adolfo Portela, justificavam que a Câmara se pusesse a caminho de Lisboa, batesse à porta do Primeiro Ministro Passos Coelho e, de lá, afirmasse ao País, que Águeda não tem só as cheias no Inverno e os fogos, na serra, no Verão, a merecerem a abertura dos telejornais.
Em tempo de crise também se geram oportunidades: o Governo é novo, está lá só há dois meses e a menos de duas horas de caminho.
De que estão à espera,
Beatriz? 

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