Ser raínha por um dia
Entrar e sair de Águeda, em quase todas as horas, está a transformar--se num suplício, perda de tempo e muitos nervos. Águeda-Aveiro, Águeda-Coimbra, Águeda-Porto e Águeda-outros destinos é sempre sinal de uma malha complexa que atrasa, dificulta e condiciona o chegar a horas, mais rápido e em paz. Circular hoje é essencial para as pessoas, para as mercadorias e condição essencial no crescimento e desenvolvimento das regiões. Negócios e política, economia e planeamento de um país tem que andar de mãos dadas, numa recíproca atenção de que uma coisa condiciona a outra e obrigando a que os recursos, o orçamento e os impostos não esqueçam as comunidades que ao longo de décadas contribuíram, decisivamente, no crescimento da indústria, do comércio e no desbravar e aproveitamento de zonas serranas, criando emprego, gerando riqueza e alicerçando os caminhos do futuro das novas gerações. E Águeda é um concelho e uma terra assim: vai à luta, ultrapassa as crises e é capaz de enfrentar os sinos da desgraça ou os tempos da descrença. Mas Águeda precisa que a sua política a acompanhe e se manifeste contra este “colete de forças” em que parece estar condenada a viver: as “veias” da circulação estão apertadas, a cidade está engavetada e chegar cá ou sair daqui, é uma imagem constante da fragilidade da politica local, porventura satisfeita com os ofícios perdidos na gaveta do ex - Ministro Mário Lino das Obras Públicas e com cópias em S. Bento, no 1º. Ministro Sócrates. A Câmara socialista de Águeda tem, assim, que vir para a rua, rumar até à rotunda de Travassô e, junto à placa lá deixada pelos governantes de Lisboa, protestar, alto e bom som e para todo o país que os seus conterrâneos estão à espera que se cumpra o prometido. E que não há mais conversa, paninhos quentes ou leitão na feira, em Setembro. Por uma vez, que a politica local deixe de ser “correligionária” com o Governo, bata com a porta e não tenha medo de represálias. Águeda tem que afirmar ao Governo de Lisboa - este ou o que vier a seguir - que está farta de ser prisioneira de uma rede viária que lhe dificulta a vida, corta as asas e não encurta as distâncias. Que Águeda e a Câmara Municipal se levantem e Lisboa respeite uma terra que ao longo da História sempre contribuiu para que o País ainda esteja de pé. Vozes ao alto, Beatriz. n JNS
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