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Clube da Venda Nova: Ouvia os sinos da minha terra, um em lá sustenido, outro em si bemol!

por Redacção Soberania em Janeiro 13,2010

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Aniversário do jornal. Centenas de pessoas a comemorar. Como aperitivo, o Paulo Assucena fez um brilhante discurso sobre um livro escrito num passado distante, que era presente, profetizando um futuro que se anunciava, mas não tão escuro. E o tom laudatório em relação ao autor, surpreendeu o próprio autor.
“Este jornal – disse o director Silva dos Farolins, depois de ter cumprimentado os que tinham acedido ao seu convite – é absolutamente independente do poder político, religioso, militar, desportivo, económico e financeiro, aceitando escritos de toda a gente e de todos os quadrantes. Só que não sobrevive sem os patrocínios das empresas. É evidente que, se por exemplo, uma fábrica de perfumes ou de sabões nos der uma página de publicidade, nós não vamos permitir que alguém escreva que o sabão ou o sabonete cheiram mal! É uma questão de ética...”.
O speacker anunciou, então,  outro orador, o engº. Celestino de Almada.
“Quando eu era pequeno -  disse,  tonitroante, como sempre –  ouvia o toque dos sinos da minha terra em dois tons, um em lá sustenido, outro em si bemol. Quando saí da minha terra, ouvia outros sinos, mas não eram iguais, eram sons roufenhos, roucos e desafinados. Eu perguntei e o sino estava rachado. Que este jornal seja como os sinos da minha terra e que noticie sempre com limpidez”.
Levantou-se depois o Padre Marques do Vale e disse em tom homiliático: “Prometo que não estou aqui para hipnotizar ninguém, mas para dizer a verdade. Festejamos, em aleluia, os 132 anos de um jornal que tem atravessado os tempos e todas as vicissitudes”.
Fez uma pausa e afirmou perante a estupefacção geral: “Na minha terra há uma mulher que tem mais idade ainda, tem 150 anos, deve ser a mais idosa do mundo. E sabem porquê? Porque não ouve nada, é completamente surda. E o jornal, se não der ouvidos a ninguém, também lá chegará!”.
O Elsério dos Seguros, a comer um filete de pescada número 5, parou, virou-se para o filho Jó, sentado ao lado e segredou: “Estava para marcar uma consulta no Mário Luís, por causa de problemas nos ouvidos, porque tenho a impressão que ando a ensurdecer, mas assim já lá não vou!”.
O Jó encolheu os ombros e respondeu: “Eu não acredito muito no que disse o padre, mas, se isso se espalha, o Mário Luís vai perder muita clientela!”.
O Rolim Stones, também sentado à mesma mesa, pôs a mão no queixo e concluiu: “Também me parece impossível, mas ele é padre... deve dizer a verdade!”.
    *** * ***
O Rabino e o Marquês, voluntários da agulheta, clientes habituais do Restaurante Canadiano, iam a sair quando sentiram um toque no ombro e o dono a dizer-lhes:
“Passem por aí mais logo porque é Natal, tenho duas garrafas para oferecer a cada um!”.
Atravessaram a rua, entraram no quartel e o Rabino sugeriu: “Ele tem-nos tratado bem, ainda vamos precisar dele, pretende dar-nos um presente, devemos retribuir. E estou a lembrar-me que lhe poderíamos oferecer uma garrafa de wiscky, do novo!”.
Compraram uma garrafa JB, pediram um embrulho com laço vistoso. Foram entregá-la ao Canadiano e trouxe, cada um, uma caixa com duas garrafas.
Ao outro dia, o Rabino chegou vermelho de raiva ao pé do Marquês e gritou:
“As garrafas que ele nos deu, o que tinham era água!”.
“Pois era – respondeu, iracundo, o Marquês – era água e da torneira, que cheirava a cloro! Ele tem que nos devolver o whisky!”.
“Tem, tem, isso é que era bom!  O Canadiano fechou!!!!”.


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