Prognóstico (muito) reservado
Tudo indica que, uma vez mais, vamos ter a repetição da História. Na verdade não parece necessário possuir dons da adivinho para concluir, com margem mínima de erro, que os socialistas vão perder a maioria absoluta nas próximas Legislativas e não só: correm sério risco de perder a maioria relativa. Menos provável, mas não de todo impossível, poderão ficar em terceiro lugar no Parlamento, superados pelos comunistas e Bloco de Esquerda. O que, aliás, já aconteceu quando o general Ramalho Eanes tentou ser líder de um partido por si e sua mulher personalizado. Embora em política não possa haver certezas e todas as hipóteses sejam de considerar, as incertezas são mais certas do que aquelas À primeira vista poderá parecer impossível mas a verdade é que, neste como em outros casos, o impossível acaba por acontecer. Eleito por confortável maioria, tendo obtido o apoio institucional (e não só) do Chefe do Estado, reduzidas à mingua as correntes internas, hostilizado por uma oposição fragilizada que não fora capaz de se manter, José Sócrates herdou condições que poderemos considerar como únicas no seio da jovem democracia portuguesa. O poder veio-lhe parar ao regaço como que caído do céu aos trambolhões. E, afinal, foram mesmo trambolhões que esperavam a nova gente sentada nas cadeiras do poder. Não valerá a pena personalizar o que mais contribuiu para a usura do poder e o desejo manifestado pela opinião pública de que mude de mãos. Mas se nos lembrarmos das manifestações mastodônticas de vários sectores corporativos, dos estudos universitários do 1º ministro, da não existência de um ministério do Turismo, sem sombra de dúvida o sector que mais garantias dá de prosperidade futura ao país, sector esse dirigido pelo Dr. Bernardo Trindade, que ninguém conhece nem sabe quem é. A inexistência de um ministério da Cultura preenchido recentemente mas até agora obviamente por preencher, um ministro que classifica de JAMAIS a localização do novo aeroporto e assegura a instalação do TGV para pouco depois dar os ditos por não ditos, enfim trapalhadas sem fim, proteccionismos e nepotismos também sem fim, tudo isto e o inferno também conduziu ao mal estar generalizado que hoje em dia já ninguém procura negar ou disfarçar. Aqui está como e porquê a História se vai repetindo. O poder nunca - ou quase nunca - é conquistado mas simplesmente entregue. Porque os que estão sentados nas respectivas cadeiras vão sendo quase sempre piores do que aqueles que se viram forçados a abandoná-las. - MANUEL JOSÉ HOMEM D MELLO Director Honorário SP
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