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O calcanhar d'Aquiles

por Manuel José Homem Mello em Julho 23,2010

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A estabilidade política representa, para o sistema democrático, o mesmo que a levedura para a panificação. Sem levedura, não será possível obter-se “o pão nosso de cada dia” porque a massa não fermenta. Sem estabilidade, será impossível governar porque a serenidade representa para a política o fermento de uma governação capaz e eficiente.
O principal argumento daqueles que se dizem anti-democráticos é precisamente a tendência para a instabilidade provocada pela superpolitização da vida política.
Na realidade, sem serenidade é impossível governar, porque governar é decidir - como ensinou  Mendés-France - e só será possível decidir quando é possível reflectir. A essência da democracia reside na liberdade. Sem liberdade não haverá nunca democracia. Mas sem democracia também não haverá liberdade. A democracia pressupõe o respeito pelo princípio do contraditório e é aqui - no respeito por esse princípio -  que encontramos o calcanhar de Aquiles da democracia.
Porque a contradição sistemática leva a que cada cabeça possa ditar a sua sentença
E se todos podem dizer tudo quanto pensem ou, melhor, se todos devem poder dizer o que pensam, pondo em causa os pontos de vista de cada um, só muito dificilmente será possível chegar-se a consensos que permitam realizar convictamente o que deva ser feito.
Veja-se o que está a acontecer entre nós.
A maior preocupação, para não dizer a mais importante, de quem governa é continuar a governar ou, melhor, é estar - enquanto os que não estão querem passar a estar, para não deixarem de estar uma vez atingida a meta da governação. O pior é que governar pode ser apenas uma mera aparência carregada de ilusões. Julgam que governam mas as mais das vezes limitam-se a parecer que governam sem governar coisíssima nenhuma. A não ser muitas vezes a si próprios. Não governam. Governam-se.
n MJHM - Director Honorário SP

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