Democracia aos tombos
Não se extinguira ainda o burburinho provocado pelo convite e aceitação para o dr. Fernando Nobre se apresentar como cabeça de lista pelo PSD de Lisboa nas próximas eleições Legislativas e já a classe política voltava a agitar-se a propósito do convite semelhante que o dr. Basílio Horta recebeu para integrar, também como cabeça de lista, os postulantes a deputados do partido socialista, neste caso pelo distrito de Lisboa. A diferença entre os dois factos políticos estava - e está – apenas no posicionamento nos leques partidários dos dois protagonistas : enquanto o primeiro fazia por esquecer a sua candidatura à Presidência da República assumida como exemplo de anti-partidocracia, Basílio deixava para trás o seu percurso de fundador e dirigente do CDS, para seguir o rumo anteriormente traçado pelo prof. Freitas do Amaral que, de fundador e presidente do mesmo CDS, fora ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro governo socialista chefiado pelo engº. José Sócrates. Embora o sistema democrático possa ser considerado – segundo a conhecida “ boutade” churchiliana – o pior dos regimes,à excepção de todos os outros, a verdade é que revela severas exigências, de modo a tornar-se muitas vezes, ou mesmo na maior parte dos casos, de difícil aplicação prática. Daí que dessas exigências resultem, também frequentemente, descrenças e reticências queconduzem à disseminação de vírus ou anti-corpos susceptíveis de fazerem perigar as experiências em curso. A maior dificuldade resulta da aplicação do princípio do contraditório que conduz a um clima de permanente conflitualidademas sem remédio à vista. Sem contradita não há Democracia. Sem democracia ,será praticamente impossível haver contradita. A mudança de posicionamento dos agentes políticos é quase sempre mal recebida pela opinião pública. Na verdade, os chamados “vira-casacas“ são considerados ou como oportunistas ou como traidores. Isto no caso, está bem de ver, que se examine a “transferência” de um para outro ou de outro para aquele. Fernando Nobre não poderia nem deveria “passar-se” da “cidadania “ e do anti-partidarismo, que considerou como principais motivações da sua candidatura à Presidência da República, para candidato social-democrata. Muito menos evidenciar o propósito de renunciar ao mandato, caso não venha a ser eleito presidente da Assembleia. E porquê? Porque, não vislumbrando a possibilidade nem a capacidade de reformar o regime vigente, terá encontrado pela via da “infiltração” no terreno alheio adversário o “modus faciendi” que, de dentro para fora, seja capaz de lhe permitir alcançar o objectivo que considera essencial. Não será muito ortodoxo, mas não raras vezes pode aceitar-se colocar de lado a ortodoxia para se conseguir o que se pretende na condição de salvaguardar os princípios basilares de uma vivencia pacifica e progressiva. n MJHM Director Honorário
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