Sem liberdade não há democracia, sem democracia não haverá liberdade
por MJHM em Fevereiro 10,2010
O pior que poderá acontecer a um político, ou a um governante, é perder a confiança daqueles que nele a depositaram. A exemplo do que acontece com o crédito que, para se obter, é difícil, embora se perca com a rapidez de um relâmpago. Eleito folgadamente com maioria parlamentar absoluta, o novo 1º. Ministro teve uma entrada de leão mas só um” milagre” conseguiria evitar-lhe agora uma saída de sendeiro. Raras vezes se terá assistido - ou se assistirá - a um tombo político de tamanha grandeza. E é pena. José Sócrates merecia melhor sorte. Mas, logo por pouca sorte, deixou-se enredar nas malhas da comunicação social com a ingenuidade de quem se oferece como se fosse carne para canhão. Quem possui telhados de vidro, como é o caso de Sócrates, deve percorrer o caminho como se estivesse atapetado por ovos... crus, que cozidos, já seriam demasiado consistentes. Ora, a tentativa de fazer calar determinados arautos da Comunicação Social, afrontando e enfrentando alguns dos mais conhecidos e categorizados «opinion makers» portugueses, representa um erro de cálculo imperdoável, que pode vir a revelar-se politicamente fatal. Se os métodos de asfixia política já são inaceitáveis num regime autocrático, tornam-se intoleráveis, mesmo execráveis, num regime que se diz e se proclama democrático e que, pelo menos algumas vezes, actua de modo a afastar do epicentro dos acontecimentos (o que e) aqueles que desagradam a quem governa, para os quais os Estados de Direito pouco mais são do que simples pantominas, tomando como exemplo as arbitrariedades próprias dos regimes de força. Não o digo de cor. Digo-o para além do que fica, através de dura experiência própria, enquanto me mantiveram em silêncio forçado e os que aplaudiam tinham o direito e a possibilidade de falar. Posso dar testemunho de solidariedade a Mário Crespo, mesmo que muitas vezes não esteja de acordo com as ideias que defende e a escolha dos convidados com os quais dialoga. O problema, aliás, não é concordar ou discordar. O problema a possibilidade de exprimir livremente o pensamento de cada um. Ou muito me engano ou o consulado de Sócrates está a chegar ao fim.
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