Na corda bamba
por MJHM em Abril 15,2011
Por maiores que possam ser e são, efectivamente, as divergências e as reticências que a actuação do engº. Sócrates como Primeiro-Ministro me merecem seria dar prova de facciosismo, ainda por cima inconsequente, não reconhecer as qualidades que também possui. A tal ponto que me parece de inteira justiça considerá-lo como o melhor «inter-pares», se bem que os elogios não sejam suficientes para desmerecer a faceta negativa, uma vez que, em terra de cegos, quem tenha visão, mesmo deficiente, possa ser coroado rei. Chegar à conclusão pacífica de quem foi o culpado ou o principal (ir)responsável pelo descalabro que tomou conta do país, nem daqui a um século se conseguirá apurar. Os partidos e seus respectivos dirigentes não desistirão de lançar a culpa uns sobre os outros, sem possibilidade de se chegar a um consenso, ao menos relativo. Na realidade, não houve orador no Congresso socialista que desistisse de referir o «interesse nacional» como impulsionador e motivador da orientação do caminho a percorrer. E todavia aqueles que se encontram fora, ou afastados do saco de gatos onde os políticos se instalaram, não têm a menor dúvida de que não há efectivamente UM culpado, porque todos o são, cada qual mais do que os outros. É inacreditável e inaceitável que esses sátrapas da democracia portuguesa actuem como se estivessem a praticar o “jogo da glória”, cujo desfecho não poderia ser diverso da derrota mais humilhante Pretender que a culpa do que aconteceu, está a acontecer e, pelo andar da carruagem, continuará a acontecer seria o mesmo que condenar como culpados pela pedofilia que tomou conta da Casa Pia aqueles que foram escolhidos para vítimas dos abusadores. Seria virar o bico ao prego e o feitiço contra o feiticeiro. Porque não foi, nem poderá ser, o povo o culpado de quanto aconteceu nem pelo que venha a acontecer em e a Portugal. O grande culpado foi, e será sempre, o batalhão composto por aqueles que, há mais de um quarto de século, desgovernam o outrora jardim à beira mar plantado, que perdeu a verdura luxuriante e murcha progressivamente a cada dia que passa.
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