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A crise

por MJHM em Maio 06,2010

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São iniludivelmente preocupantes os sintomas da crise que atravessamos. Mas, para sermos completamente verdadeiros, teremos de substituir a palavra «sintomas», que possui algo de dubitativo, por outra mais forte e  mais determinante.Vivência, por exemplo.
Nós estamos em crise. Só aqueles que procuram tapar a luz do sol com uma peneira é que se atrevem a duvidar. Crise e grave. Não é uma crise passageira qualquer. De resto, para sermos  realistas, como cumpre, teremos que acrescentar que nada do que se passa é novo para nós.
A malfadada crise andou sempre de mãos dadas com o país, manifestando--se ininterruptamente, umas vezes mais acentuada, outras menos. Mas sempre. A crise faz parte de nós mesmos.
Significa isto que seria irrealista, e até injusto, culpabilizar exclusivamente os actuais dirigentes ou o sistema que os suporta, por tudo quanto de mal e de errado se verifica e acontece. Poderão ser medíocres e maus os dirigentes e o sistema carecer de retoques e melhorias, mas nem aqueles são piores do que muitos outros que governaram anteriormente, nem o sistema será o menos indicado mesmo contrariando a célebre «boutade» churchiliana que coloca a democracia no último lugar dos regimes políticos, tavez precisamente por ser qualitativamente o primeiro...
O que tem acontecido - e continuará, por certo, a acontecer – é que o pessoal político não consegue, salvo raras excepções, ultrapassar a barreira da mediocridade, seja por inadaptação a cargos demasiado exigentes, face à ausência de preparação de quem os vai preencher, seja por má conduta ou desconhecimento das regras de actuação que deveriam respeitar e seguir.
A igualdade entre os homens não passa de utopia e ainda por cima hipócrita. Acenar com ela, será o mesmo que resvalar definitvamente   pelo plano inclinado  que tornará inviável a recuperação do tempo e das oportunidades perdidas.
Claro que é sempre possível   detectar excepções, mas estas apenas servem para confirmar a regra, independentemente do sector em que cada qual exerça a respectiva actividade. Quer seja cívica ou meramente lúdica. Se não é por morrer uma andorinha que acaba a  Primavera, também não será pelo bom ou mau desempenho do cargo, que este ou aquele ocupa, que deveremos generalizar. O que seria da Igreja Católica se a classificássemos segundo o cortejo imenso de padres e bispos  que praticaram as mais descabeladas e degradantes experiências pedófilas... com perfeito conhecimento das autoridades eclesiásticas, a começar no Papa e a acabar no mais humilde pároco da mais recôndita aldeia ?
O que lhes vale é o Inferno ser uma (mais uma) criação dos Homens. Porque, se houvesse o Inferno criado por Deus, nenhum deses «cavalheiros» escaparia à condenação perpétua das Galés  da História.
 



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