Os senhores que se seguem
por MJHM em Fevereiro 02,2011
Não será necessário considerar como adivinhos todos aqueles que acaso estejam convencidos de que não tardará a acontecer no Magreb muçulmano, o que acaba de ocorrer na Tunísia. Décadas atrás, “o exemplo” fora já dado por quase todos os países limítrofes ou vizinhos. Salvo erro, o primeiro foi o Iraque, onde o cadáver do rei foi arrastado pelas ruas de Bagdade. Pouco tempo depois, chegava a vez do Irão, com o pobre milionário do imperador, expulso do seu país e atraiçoado por todos os seus aliados ocidentais. Ao Egipto, à Síria, à Líbia, ao Iémen do Norte e do Sul, entre outros, aconteceu mais ou menos o mesmo. Só faltam agora, depois do episódio tunisino, a Turquia, a Arábia Saudita e Marrocos, para não referir a Argélia - com características especiais, aliás, cujo destino também está traçado. Quanto tempo vai tardar a consumação das monarquias ou das ditaduras maometanas do Norte e do Corno da África não será possível dizer. Mas uma certeza poderemos ter de que o caminho está traçado e de que muito sangue continuará a correr como foi acontecendo outrora. Enquanto os árabes ainda recentemente agitavam e davam por finda a longa experiência ditatorial do Sr. Bel Ami, sucessor do Sr. Bourdiba, nós por cá íamo-nos entretendo com os desfalques bancários e as lutas políticas que, invocando o interesse do país, procuravam servir os seus próprios interesses. Com algumas excepções – porque há sempre excepções – mas em muito menor número do que seria para desejar. Se tudo continuar como até agora, ninguém se admirará que regressemos a Poitier, comandados por um novo Carlos Martel. O que não sabemos é qual será o resultado final da refrega.
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