A Assembleia Municipal e o último 25 de Abril
Com o 25 de Abril à porta e em ano de eleições, é com alguma expectativa que se aguarda pela cerimónia comemorativa que a Assembleia Municipal de Águeda (AM) costuma realizar, dentro de casa, no salão nobre dos paços do concelho. Sendo a última deste mandato, será legítimo esperar que ela saia do formato rotineiro em que se tem realizado - cumprimentos da praxe, discursos partidários e para “encher”, às vezes, um convidado de fora - e faça uma análise ao seu trabalho político durante estes anos, um balanço crítico do que fez e do que deixou por fazer, contribuindo ou afastando-se das esperanças e promessas do 25 de Abril. Marco histórico do derrube da ditadura e estabelecimento da Democracia - com a efectiva implantação do poder local e seus órgãos legitimamente eleitos - é a data certa para a Assembleia Municipal se ver ao espelho e se interrogar se soube cumprir os objectivos para que foi eleita ou se, pelo contrário, se desviou do essencial para o secundário, não criando no seu “curriculum” uma agenda política dos reais problemas do concelho e deixando-se arrastar para uma trajectória de burocracia e preenchimento do” livro do ponto” que vai empobrecendo, à escala concelhia, a própria política autárquica, aumentando o desinteresse dos eleitores pela coisa pública e pelo voto nas urnas. E, se soube, durante estes quase quatro anos , acompanhar o passo e o ritmo do concelho, e o defendeu na educação, na saúde, na água, no saneamento, na justiça, na qualidade de vida. Ou, se ao contrário, negligenciou na compra do Teatro S. Pedro, capitulou no Tribunal, atrasou a Carta Educativa, descuidou a barragem da Redonda e os ventos de Agadão e não encontrou tempo para o Plano Director Municipal (PDM): quem somos, onde estamos, para onde queremos ir. O 25 de Abril e a sua comemoração na Assembleia Municipal deveria constituir, assim, uma viva reflexão sobre o estado concelhio, um exame entre eleições para os seus membros e um aprofundar dos caminhos de confiança que é urgente cimentar entre eleitos e eleitores. E num tempo em que a política nacional se descredibiliza e os seus agentes se afastam cada vez mais dos cidadãos, importa que o poder local contrarie essa vaga e mantenha a chama acesa do discurso da liberdade, mas também construa a obra que a comunidade espera. Não é, Beatriz?
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