A (minha) homenagem
A Assembleia Municipal de Águeda, para a já tradicional comemoração do 25 de Abril, reuniu para homenagear os presidentes deste órgão do poder local, vivos ou já falecidos, tendo sido descerrada uma fotografia de cada, no salão nobre dos Paços do Concelho. A proposta partiu do actual presidente, engº. António Celestino de Almeida (PS), que, assim e também por esta via, garantiu presença, na moldura da parede frontal, apenas dois anos volvidos no exercício dessas funções. Não vem nenhum mal ao mundo por mais homenagem ou menos homenagem, num país já habituado a condecorações por “dá cá aquela palha” e até a assistir, pela televisão, ao desfile no 10 de Junho dos agraciados com as “honoríficas” ao pescoço, nos cumprimentos ao Sr. Presidente da República. Mas já não é muito comum ver-se por aí alguém auto-candidatar-se a receber e a ouvir a “ladaínha abonatória”, em sua honra, como foi este caso, em Águeda, nas comemorações camarárias do 25 de Abril. E se é importante que a humildade seja um valor constante no desempenho do poder local e exemplo a seguir por todos os agentes da actividade autárquica, mais obrigatória ela o é, agora, num tempo de dificuldades, águas turvas e falta de pão à mesa. E é o Povo, em primeiro lugar o Povo, que deve estar presente nas preocupações políticas e, em particular, no “conclave” da Assembleia do 25 de Abril, data matriz da fundação do poder local e alicerce da legitimidade dos seus eleitos. A Assembleia Municipal de 25 de Abril, em Águeda, “soube” a muito pouco. Deixou o povo na rua e fotografou-se com o “penduricalho” ao pescoço, para que alguém a pendure, mais tarde, na parede. Pobre política, Beatriz! n JNS
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