A Assembleia Municipal e o Ășltimo 25 de Abril
Apr 16,2009 00:00 by jneves
Com o 25 de Abril à porta e em ano de eleições, é com alguma  expectativa que se aguarda pela  cerimónia comemorativa que a Assembleia Municipal de Águeda (AM) costuma realizar, dentro de casa, no salão nobre dos paços do concelho.
Sendo a última deste mandato,  será legítimo esperar que ela saia do formato rotineiro em que se tem realizado - cumprimentos da praxe, discursos partidários e para “encher”, às vezes, um convidado de fora - e faça uma análise ao seu trabalho político durante estes anos, um balanço crítico do que fez e do que deixou por fazer,  contribuindo ou afastando-se das esperanças e promessas do 25 de Abril.
Marco histórico do derrube da ditadura e estabelecimento da  Democracia - com a efectiva  implantação do poder local e seus órgãos legitimamente eleitos - é a data certa para a  Assembleia Municipal se ver ao espelho  e se interrogar se soube cumprir os objectivos para que foi eleita ou se, pelo  contrário, se desviou do essencial para o secundário, não criando no seu “curriculum”  uma agenda política dos reais problemas do concelho e deixando-se arrastar para uma trajectória de burocracia e preenchimento do” livro do ponto” que vai empobrecendo, à escala concelhia, a própria política autárquica, aumentando o desinteresse dos eleitores pela  coisa pública e pelo  voto nas urnas.
E, se soube, durante estes quase quatro anos ,  acompanhar  o passo e o ritmo do concelho, e o defendeu na educação, na saúde, na água, no saneamento, na justiça, na qualidade de vida.
Ou, se ao contrário, negligenciou  na compra do Teatro S. Pedro, capitulou no Tribunal, atrasou  a Carta Educativa, descuidou a barragem da Redonda e os ventos de Agadão e não encontrou tempo para o Plano Director Municipal (PDM): quem somos, onde estamos, para onde queremos ir.
O 25 de Abril e a sua comemoração na Assembleia Municipal deveria constituir, assim, uma viva reflexão sobre o estado concelhio, um exame entre eleições para os seus membros e um aprofundar dos caminhos de confiança que é urgente cimentar entre eleitos e eleitores.
E num tempo em que a política nacional se descredibiliza e os seus agentes  se afastam cada vez mais dos cidadãos, importa que o poder local  contrarie essa vaga e mantenha a chama acesa  do discurso da  liberdade,  mas também construa a obra que a comunidade espera.
Não é, Beatriz?