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Notas, ao tom do nosso tempo!

por António Silva em Março 18,2009

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Ao fim de três anos de ininterrupta presença resolvi, após as comemorações do 130º. aniversário de SP - que se realizou no primeiro sábado de Janeiro do corrente ano, diga-se que, com o êxito e brilho habituais - fazer uma pausa nas Entrelinhas.
Fi-lo com o objectivo principal de deixar o espaço livre à presença de outras pessoas, seguramente mais avalizadas, com ideias mais férteis e úteis que as minhas, logo a darem um melhor contributo ao enriquecimento literário deste jornal. Escreva você também e será bem-vindo à família SP!
O segundo argumento para este hiato nas Entrelinhas foi querer, o autor, sair da ribalta e fazer um retiro estratégico para, com a serenidade desejada e à distância, vestir a pele do mais comum dos leitores e, com a frieza aconselhada, olhar o jornal com a isenção possível.
De quando em vez, o director
obriga-se ao distanciamento, para digerir os protestos daqueles que dão sinais de irritação, porque o jornalista não deu às suas intervenções de tribuna, o destaque de que se julgam credores.
Enfim, presunção e água benta…!
Só que, em SP, o profissional está consciente do seu dever e, alheio aos entusiasmos e querelas partidárias, tem, muitas vezes, uma visão diversa da importância de que o orador se julga merecedor. Os jornalistas da Soberania agem em conformidade com o seu próprio entendimento, com isenção e sem se sujeitarem ao papel de marionetas ou robôs.
Uma terceira razão tem a ver com o que se escreve nas páginas de um jornal que, em nossa opinião, deve ser algo útil e com interesse para a comunidade em que está inserido, rejeitando fazer “fretes” e livre das pressões de grupos económicos, políticos, sociais ou religiosos e, de preferência, sempre com o dedo em riste direccionado aos protagonistas de erros, desmandos e injustiças, desde o mais baixo ao mais alto nível da hierarquia governativa, porque é daí que, na maioria das vezes, vêm ao mundo os males maiores.
Analisar as questões nucleares da vida nacional e manifestar opinião coerente, razoável e objectiva, não é só um direito, mas um dever de todos e, principalmente, dos que têm responsabilidades na informação.
Quando a imprensa regional aceita publicar banalidades cheias de filosofias balofas, mas sem nada dizerem, ou está a satisfazer o ego de algum escrevinhador narcisista, ou fica a cheirar a bafienta bajulice de alguém que espera a migalha que cai da mesa do seu ídolo e senhor.
Infelizmente, há para aí muito disso, mas é um clube a que rejeitamos pertencer e, por receio de cairmos nos mesmos erros, é que resolvemos fazer a “travessia do deserto”. E assim continuaríamos, não fossem os desafios que nos chegaram de ilustres e respeitáveis cidadãos que, como nós, preocupados com o estado deplorável em que o mundo está a mergulhar, nos convenceram a voltar a estas páginas.
Efectivamente, chegados a tal descalabro, nenhum cidadão pode ficar indiferente ou fazer como o avestruz, à espera que a tempestade passe. Em vez de enterrar a cabeça na areia temos, todos, obrigação de fazer alguma coisa no sentido de inverter a marcha, rumo ao precipício para que estamos direccionados.
A imprensa tem uma obrigação maior e, no caso a SP, tem linhas orientadoras de isenção liberdade e independência.
Embora consciente que de pouco valerá este meu grito, por tão insignificante ser a minha voz, decidi voltar às Entrelinhas para, consigo, reflectir a vulnerabilidade e inquietação do povo, temente da marginalidade que, aos poucos, vai transformando este país, num autêntico “far-west”.
Portugal, que já foi dos países mais seguros do mundo, está, em matéria criminal, a aproximar-se dos menos seguros e mais perigosos, daqueles onde o turista, à chegada, recebe não só um roteiro dos monumentos a visitar, mas também um aviso dos locais de insegurança com a indicação dos cuidados a ter mesmo à porta dos melhores hotéis: - nada de anéis, nada de relógios porque, se não ficar sem a mão, pode ficar sem o dedo!
Que saudades do tempo em que viajávamos com pouco dinheiro e dormíamos no parque de estacionamento, ou na berma da estrada, com a tranquilidade de quem tinha a certeza de estar seguro. Em Portugal, havia justiça com autoridade e autoridade justa!
Mas quando assistimos ao grande feito da abertura das fronteiras, esse acto inevitável à integração europeia, perdemos a capacidade oficial de controlar as entradas para, logo aí, separar o trigo do joio.
Enquanto na Europa se faz uma aturada fiscalização de rua, nós, por cá, demonstramos aos parceiros de Bruxelas a nossa civilização, rebuscando argumentos para multar o automobilista, porque dá receita, mas deixamos à solta os fora da lei.
Somos um povo de brandos
costumes, por condição, e permissivo por desleixo, ingredientes que deram azo a uma torrente de “escória” vinda de todas as partes do mundo sem que as autoridades fossem capazes de travar o fluxo de marginais.
Adeus segurança!
Hoje, nem na nossa cama estamos seguros.
E de quem é a culpa? Naturalmente, dos fazedores das leis e dos responsáveis pela sua aplicação!
O facilitismo e excessiva benevolência de quem condescende (ou será incompetência?) e, em nome dos direitos humanos, deixa impunes os marginais, facilita o caminho para a degradação da sociedade. E ainda a procissão vai no adro. O pior está para vir!
Com tanta vagabundagem à solta e o desemprego a atirar tantas famílias para a miséria, com tantas outras no limiar da pobreza, o resultado aí está, bem expresso no crescimento da delinquência juvenil, e não só, nas burlas, roubos e violência, no aumento de agressividade a provocar a instabilidade familiar com o consequente aumento de divórcios e uma, nunca vista, proliferação da prostituição.
São as consequências imediatas e mais visíveis mas há mais, porque é nos momentos socialmente conturbados que aparecem os “chicos-espertos”, e o país está cheio deles, a aproveitarem a ingenuidade dos mais frágeis para os espoliarem do quase nada que têm. E o pior é que, não se contentando com o anel e o relógio, sujam as mãos com o sangue da sua vítima.
Noutra dimensão, estão os mais ferozes vampiros: “granfinos” instalados no areópago da fama, a desfilarem na passerelle da política e por ela protegidos.
Que Deus nos defenda desses abutres, capazes das maiores trapacices de que este povo tem memória.
E quando alguma coisa falha, lhes descobre a careca e põe as suas trafulhices a nu, é tarde demais para quem entregou tudo o que tinha. Agora, enquanto as vítimas choram as suas perdas, os vígaros reclamam inocência com a maior desfaçatez e, com lágrimas de “crocodilo”, tentam comover o zé e a justiça. Mas que grandes actores...!
Façam como eu que, nunca joguem na Bolsa!
Ah… quem me dera ser juiz nos julgamentos dessa corja de trapaceiros, sujos e corruptos.
Qual pulseira electrónica, qual pena suspensa, qual ilibação? A pena justa seria trabalhos forçados para os réus, com as suas vítimas a capatazes!
Mas, neste país que é o nosso, imperam os vigaristas de colarinho branco que, quando não saem ilibados, saem aliviados, ainda que os queixosos fiquem na miséria psíquica, física, material e humana.
Neste país que é o nosso, vagueiam hordas de anormais, invertidos e conspurcados, a satisfazerem as suas aberrantes fantasias e instintos animalejos (que nem os animais assim se comportam…), com sádicas violações a crianças inocentes e indefesas.
Pena é que os de maior visibilidade social arranjem sempre maneira de sair impunes (culpa da lei ou da condescendência de quem julga), enquanto as vítimas e as famílias ficam destroçadas!
Se não aparecer alguém que, com mão dura, ponha ordem na casa, o caminho deste povo de brandos costumes é, fatalmente, a degradação até à ruína social.
Quem nos governa que atente no que, há já 500 anos, dizia Camões:
“Um rei forte faz forte, gente fraca.
Um rei fraco faz fraca, gente forte!”.
Ou será predestinação?



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