Eu bem disse, mas ninguém quis crer!
Era a doida que falava… Esta charla foi respigada de uma peça de teatro encenado na aldeia, há mais de meio século, onde aparecia, num determinado momento, a bruxa desgrenhada e de ar alienado a prevenir os pescadores para que não fossem ao mar, naquele dia. Por ser doida, ninguém lhe deu ouvidos e a tragédia aconteceu! E isto faz-me lembrar as vezes que apontámos o dedo aos governantes, que não nos deram ouvidos por sermos insignificantes, quando nas suas falácias tentavam fazer-nos crer que vivemos no reino dos bem-aventurados, onde existe, para todos, abundância de leite e mel em quantidades inesgotáveis. Enquanto do alto da sua cátedra tentavam adormecer-nos com as suas fantasiosas lições de sapiência, nós, analfabetos mas não estúpidos, íamos vendo o que até um cego via: o caminho da penúria! E se não morremos ainda de fome é porque, para além da resistência sobre-humana do nosso povo, vamos vivendo da solidariedade dos vizinhos, daqueles que trabalham e, essencialmente, sabem governar. Não é má-língua, é a dura e crua realidade! Não acredito em bruxas, não sei se existem fadas nem lobisomens e também não acredito em milagre que nos livre do precipício para onde nos conduziram as prima-donas da tragédia que nos está a ser servida. Tragédia resultante da ignorância a um princípio básico da economia que reza: Ninguém pode gastar mais do que o que ganha sem colapso económico e consequente falência técnica. Não confundir gastar com investir! Nós, por cá, não investimos, gastámos à tripa-forra, como se vivêssemos no País das maravilhas. Não governámos, esbanjámos, e quando já não há mais nada para esbanjar, vendem-se os anéis para continuarmos a fazer vida de ricos, como fizeram os nobres falidos nos finais do século XIX. Os governos, de há décadas a esta parte, delapidaram o património nacional, hipotecaram os bens estruturantes essenciais à vida do País, perderam o controlo da economia. Em bom português, venderam a alma ao diabo. Com jeitinhos, quer à direita quer à esquerda de quem governa, agitando a bandeira da liberdade, “ninguém é livre sem independência económica”, legalizaram-se, embora de forma encapotada, os monopolistas sugadores do suor do povo. Legalizaram-se os agiotas do dinheiro e, sob o véu diáfano da fantasia, encobriu-se e certificou-se uma vergonhosa especulação, com gestores a extorquir milhões das empresas que deveriam existir para fazer crescer o nível social do povo. Mas o que cresceu foram as contas bancárias dos gestores desses “cartéis”. Um governo que permite a especulação, feita aos de mais fracos recursos, é um governo incompetente, insensato, cúmplice e indigno de governar um povo humilde e bom como o nosso. Os erros cometidos são tão grosseiros, graves, e tantos, que vão do ensino à educação, da segurança à justiça, passando pela saúde e todas as outras vertentes da vida nacional, com destaque para a económica. Tal governação só merece um comentário: - Não falharam por ingenuidade, mas por incompetência e merecem uma justa responsabilização! Embora saibamos que o País fica na miséria, mas os responsáveis ficam ricos: O povo é que sofre! Ah, que se eu mandasse!... 2010-05-05 n a.a.silva
2244 vezes lido
|