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Assim profetizávamos, assim se cumpriu!

por António Silva em Abril 20,2011

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Em 2006, escrevíamos: “Vêm aí alterações no acesso à reforma!”.
Não conhecemos em pormenor as novas regras, mas, pelo anunciado na comunicação social, os candidatos a reformados vão ter que apertar o cinto, porque vai haver turbulência.
Não obstante ser o resultado da muito má governação, pensamos haver alguma justeza nas medidas, tendo em conta apenas o aumento da esperança de vida, embora saibamos que, para os promotores, justiça não será a principal preocupação. Eles querem mesmo é mais dinheiro, para poderem gastar, gastar a esmo, sem conta nem medida, para satisfazer as clientelas!
Este é um País sem rumo e de uma confrangedora incompetência na governação, à deriva, e, se assim continuarmos, não evitaremos o naufrágio.
Tudo isto acontece pela incompetência e falta de liberdade de quem governa e pode mudar a cor, às vezes o discurso, mas não mudam os métodos, porque quem governa está cativo dos partidos, que têm clientelas para alimentar!
E este Povo de brandos costumes, submisso e dócil quanto baste, confia neles como os carneiros no seu pastor, mas de quando em vez o pastor sai-lhe açougueiro e o resultado é catastrófico!
Eles vão deixar os cofres vazios, o País endividado até às orelhas e o futuro dos portugueses hipotecado. Voltar aos anos sessenta e à emigração massiva vai ser, para muitos de nós, a única saída!
E o problema não são as grandes obras que, na sua maioria, são feitas à custa da Europa.
O problema são os contratos opacos, para que os tratantes possam meter a mão, sem serem vistos: contratos feitos à medida das clientelas e com empresas protegidas que vão receber, de braços abertos, os ministros e os secretários que perderem o tacho no governo!
Mas a penúria a que o País vai chegar tem também origem e é consequência de um hábito que se instalou na nossa sociedade, de comprar tudo feito, aos espanhóis, aos chilenos, aos marroquinos, aos israelitas etc., enquanto as nossas terras ficam abandonadas e as fábricas fechadas.
Hoje, toda a gente sabe usar do computador à máquina de lavar a louça e já ninguém sabe usar a máquina de costura. Toda a gente sabe lidar com os facebook’s, mas não sabem usar o dedal ou pregar o botão. Hoje, todos conhecem os cantos dos supermercados mas já ninguém sabe onde estão os alhos no quintal!
E quem governa, numa forma distorcida de governação, contrai mais e mais empréstimos, para mais e mais importações, até ficar de cócoras perante o mundo, enquanto o erário público é surripiado escandalosamente, com facturas falsas e chorudas comissões pagas aos responsáveis pelos aprovisionamentos, contabilidades desvirtuadas e um sem-número de habilidades próprias de um qualquer terceiro mundo…, de sobas que nos seus inflamados discursos tentam hipnotizar--nos enquanto nos empurram para o cadafalso!
Os erros estão a ser demasiado grandes e a pôr em causa o sistema social dos trabalhadores e não está em causa auxiliar quem, mas os oportunistas.
Quem não conhece alguém com uma invalidez fraudulenta, por influência dos bem posicionados na política, por insuficiência dos serviços ou por cumplicidade de quem decide?
Quem não conhece alguém que recebe o rendimento mínimo, porque lhes não apetece trabalhar e sempre com os apadrinhamentos da praxe?
Quem não conhece, por aí, os que fazem vida de milhões com salário, declarado, de tostões, fugindo às suas obrigações fiscais?
Quem não conhece as escandalosas reformas atribuídas a alguns senhores deste País que, por já terem tido responsabilidades governativas, deviam ter vergonha pelo dinheiro que recebem, sugado ao povo, quer através dos impostos quer através de empresas privilegiadas com benefícios que mais ninguém tem, mas que todos pagamos!
Um escândalo? Não! É apenas o usual num País terceiro-mundista, que perdeu a moral e a vergonha, o respeito e a responsabilidade pela coisa pública.  
Para alguns, o dinheiro transforma pecados capitais em virtudes angelicais e a palavra dignidade faz parte do anedótico. Este é o País onde se confundem as pretensões com competência, onde a astúcia se sobrepõe à razão, onde a realidade é ofuscada pela fantasia.
O que vai passar-se neste País nos tempos próximos, se não fosse tão trágico, seria uma comédia de actores tão bem caracterizados que nem Dante faria melhor.
Os desavergonhados que há dezenas de anos governam, reinando, nesta terra de república, expõem as suas fantasias ao povo enquanto nos afundam no lodaçal que eles próprios estão a criar, em consequência da crise moral que por cá se instalou,
Este é o País onde os políticos vão no burro e o povo carrega a carga!...
Era assim que escrevíamos em 2006. Bruxo?.... Não, apenas atento!
n a.a.silva 20-04-2011

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