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Amanhã viveremos o futuro que construímos hoje!

por António Silva em Outubro 27,2010

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Em Abril de 2006, escrevíamos assim:
“Há anos que entrámos no clube dos ricos, com o ingresso pago pelos europeus de que passámos a fazer parte integrante. De então para cá, é justo que se diga, alguns portugueses melhoraram as suas condições de vida.
Será que são melhorias sustentadas? Estaremos nós preparados para enfrentar o futuro?
Francamente, achamos que não!
Passadas mais de três décadas de democracia, quem poderá olhar para um amanhã com um mínimo de segurança ou sequer, de esperança?
- O empresário ou o operário? O professor ou o aluno? O médico ou o doente? O juiz ou o advogado? O queixoso ou o arguido?
Pela orientação que este País leva, este governo demonstra que não tem capacidade para mudar o rumo das coisas!
Se algo de bem profundo não for feito, com urgência, a angústia vai tomar conta de nós, ao pensarmos no amanhã, porque amanhã viveremos o futuro que construímos hoje. E não é com instabilidade nas famílias, nas escolas, nas empresas, nos tribunais ou nos hospitais que o amanhã será o que desejamos A única fórmula para contrariar esta tendência é trabalho sério e em condições dignas, com respeito e responsabilidade de todos e para todos: superiores e subordinados, a começar por quem tem a nobre missão de governar!
Preocupa-nos que ao fim de trinta anos, com milhões de ajudas e quando já devíamos andar vestidos com o nosso próprio fato, ainda a camisa seja emprestada: os erros pagam-se caros!
E os erros das diversas governações, que não acautelaram o futuro, está a pôr em causa uma geração de esperança e a criar a geração de frustrados:
– Pessimismo? – Oxalá fosse, mas infelizmente não é, porque o rumo das decisões têm a orientação das clientelas, em vez de trilhar o caminho seguro na educação e na formação tecnológica, a par de uma rigorosa gestão de meios.
Está a fazer é conduzir-se o País para a penúria esbanjando, esbanjando, esbanjando, a alimentar os corruptos que se colam ao poder.
Hábitos que já vêm de longe, descaradamente e sem punição!
O oportunismo e as negociatas estão na ordem do dia e, aliado à incompetência, e às vezes, conivência dos que detêm o poder, está a conduzir este País para uma filosofia de vida terceiro-mundista onde os mais astutos se passeiam por cima dos cadáveres dos mais fracos. E tudo isto acontece num País que faz parte de uma Europa industrializada, social e humana.
Este recanto que tinha como objectivo juntar-se aos ricos, deveria, em primeiro que tudo, procurar saber porque é a Europa é rica?
Não são os poços de petróleo, nem as jazidas de diamantes:
É uma força divina! Força que protege os que melhor pensam e mais trabalham.
Quanto a nós, se continuarmos no bem bom, a única esperança é um pau e um saco”.
Assim escrevíamos em 07-04-2006.
Não era preciso ser muito inteligente para ver o buraco em que nos estavam a meter. 




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