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Face oculta

por António Silva em Março 10,2010

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Muito se tem falado acerca deste assunto e é por demais evidente que nunca se chegará a um consenso nesta democracia das bananas, onde há tanto excesso de liberdade, quanta falta de dignidade.
E os intervenientes da novela que deu este título querem, a todo o custo e apoiando-se no segredo de justiça, manter o povo bem longe das matérias em processo, na preservação, dizem, do seu bom (?), nome: Bom, limpo e qualificado é o que se exige de quem tem a superior responsabilidade de governar um País!
Só que há por cá nomes de governantes e seus acólitos, actuais e passados, tão sujos e encardidos, como diz Medina Carreira, que já nem uma barrela de soda cáustica os limpa e os resultados são o que se vê:
Em cada dia que passa, e para desespero nosso, assistimos ao afundamento do nosso tecido produtivo e consequente engrossamento das filas do desemprego.
Apesar disso, e num País que está de cócoras perante o mundo, crescem como cogumelos as negociatas de uns quantos protegidos, que sugam, como vampiros, o povo até ao tutano. Povo que já entrou nos carris da miséria, enquanto vê as grandes fortunas crescerem…, crescerem…, crescerem…, se não com a conivência, sempre com o beneplácito de quem governa.
Tantas revoluções o nosso povo fez para se libertar de um feudalismo anacrónico que o explorava e eis que, cem anos volvidos, esta república de forma singular e “sui generis” reinventou um novo ciclo feudal tanto ou mais asfixiante do que aquele que o povo derrubou em 1910.
Não sou adepto do sistema feudalista, muito menos deste que vivemos e nos esgana. E reconheça-se que ao tempo dos nobiliárquicos Duques, Marqueses, Condes, Valetes, etc., ao menos tomávamos deles lições de postura, respeito e, não raras vezes, de altruísmo.
Hoje, os feudos por cá instalados e protegidos em forma de gasolineiras, finança, Brisas, seguros, energéticas cimenteiras etc., etc., espoliam o povo da maneira mais vil e o seu savoir-faire é exibir, com uma pecaminosa opulência, os milhões extorquidos das mais variadas formas, enquanto o povo - em nome do qual se fazem todas as revoluções - continua a apertar o cinto, para não deixar cair as calças.
E este cenário é aproveitado pelos do contra para tirarem dividendos com lições de moral, julgando que o povo tem memória curta. Mas também eles não estão de mãos limpas e não é preciso ter memória de elefante para nos lembrarmos de um passado recente com casos ainda por resolver. Lembram-se?
E não vale a pena armarem-se em virgens pudicas para tirar proveito da actual situação, porque algumas das vossas sujeiras andam ainda pelos tribunais e estão na memória de, pelo menos, aqueles que não devem obediência a nenhuma cor política.
A verdade é que, ontem como hoje,
E há sempre quem esteja contra e a favor, mas nós que somos aldeãos e de pensamento livre, não deixamos de ficar boquiabertos quando alguém com mais ou menos conhecimentos e responsabilidades veste a camisola partidária e dá mais importância ao segredo de justiça que à verdade dos factos.
Há dias, numa tertúlia entre amigos à volta de uma mesa ali para os lados do Beco, este assunto acalorou os convivas e logo aí percebemos, como se isso fosse necessário, que até entre advogados há divergências na análise do problema.
Por nós, pouco menos que ignorantes na matérias e que nem sequer sabemos como se entra num tribunal, somos de opinião que os jornais prestaram um valioso serviço ao País.
Terão infringido a lei? Talvez!
Mas sempre que seja para esclarecer o povo, o crime compensa!
Compensa porque com as escutas, legais ou ilegais, pouco importa, ficámos a saber que neste País há razões de sobra par desconfiarmos da camarilha que anda colada ao poder: A este…, e aos outros!
2010-03-10 n a.a.silva

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