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Também quero o Nóbel…

por ONOFRE VARELA em Fevereiro 12,2009

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Confesso que sou um péssimo gestor. Por isso, não faço gestão de coisa alguma. Sou tão mau a gerir que começo por não saber o que fazer do tempo que, naturalmente, me é dado de graça. São vinte e quatro horas por dia que tenho sem disponibilizar um cêntimo, e desperdiço a maior parte delas acabando por (literalmente) matar o tempo.
A gestão implica conhecimentos de economia, e, nisso, eu sou tão leigo que os meus rudimentares conhecimentos na matéria são empíricos e limitam-se em saber que há mais mês para além do ordenado. Com esta pública confissão de incompetência para gerir, salva-me a minha mulher que, lá em casa, assume o papel de primeiro-ministro e acumula as pastas da economia, das finanças e dos negócios. Eu não faço nada... assumo o papel de presidente da República caseira. Aceno que sim ou que não às perguntas do primeiro-ministro e ela faz precisamente o contrário do meu aceno. É como digo: assumo, na perfeição, o papel de presidente da República!...

 


Esta minha confissão tão pública (que até fiquei corado), vem a propósito da crise que nos entrou em casa sem bater à porta. Andamos todos à rasca com a guita (isto é: todos os que trabalham, mais os reformados... mas não os Belmiros no activo nem os Teixeiras Pintos aposentados). Andamos, dizia eu, à rasca porque o dinheiro não chega para nada. Cortamos aos cafés, à gasolina e às refeições fora de casa. Já não vamos ao cinema e deixamos de comprar livros e jornais. Olhamos para a televisão e lemos o Metro, o Destak e o Global, que têm as mesmas pêtas do Notícias, do Público e do Expresso... e são gratuitos. A constatação desta desgraça causa-me aflição, arrepios e pele-de-galinha!
A questão coloca-se assim: não consumimos porque não temos dinheiro. E o comércio, sem consumidores, não vive e fecha as portas. Em consequência, a indústria que abastece o comércio não tem encomendas, cessa a sua laboração e despede os trabalhadores, que, no desemprego, não têm dinheiro; por isso não consomem!... Esta pescadinha-de-rabo-na-boca só tem uma solução possível: aumentem-se os ordenados, porra!... Assim, os trabalhadores já têm dinheiro para consumir, o comércio pode encomendar à indústria e esta emprega mais trabalhadores para alimentar as necessidades do mercado! Ficamos todos felizes e a economia revitaliza-se, se os trabalhadores tiverem um aumento substancial de salários!
Isto digo eu... que não percebo nada de economia.
Mas a maior novidade... prestem atenção!... é que o meu ego acaba de dar um salto de contentamento e passeia-se na minha República caseira, todo inchado (teso), frente ao primeiro-ministro, ao ministro da economia, das finanças e dos negócios. Até parece um pavão! É que acabei de ler, no suplemento de economia do jornal espanhol El País, uma entrevista concedida pelo novo prémio Nóbel de Economia, Paul Krugman, que aconselha a aumentar o gasto para activar a economia! Ouviram? Vou repetir e a negro para ter maior destaque: o homem aconselha a aumentar o gasto para activar a economia!
Estão a ver? Ajudem a salvar a Pátria, senhores empregadores: aumentem o ordenado aos vossos trabalhadores. Com dinheiro no bolso eles gastam mais, o comércio activa-se e a indústria regenera-se!
Nunca me senti tão perto de um prémio Nóbel.
- ONOFRE VARELA


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