Considerações e recordações
É verdade que a terra é redonda, achatada nos pólos, dizem, o que não impede que ande às voltas. Talvez por esse motivo a História se repita tanto. Ou então será mera questão de … Um dia destes, perpassando ao acaso umas folhas de Eça em o “Conde de Abranhos”, dou com esta pérola: “Este governo não cairá porque não é um edifício; sairá com benzina, porque é uma nódoa”. Não me dei ao trabalho de conferir qual o governo o que lhe estava na mira lá pelos idos da 1878. Mais um a precisar de benzina… Cento e tal anos depois, mantém a actualidade. Passando de relance pela nossa História, começou-se por um muito bom primeiro rei e pode dizer-se que acabou com um monarca bonacheirão mas inteligente, artista, bom amante da vida, a quem ceifaram a vida a tiro numa das cenas mais vergonhosas, infames mesmo, de todos os acontecimentos que mancharam os nossos novecentos anos como país independente. A primeira República nasceu com “espinha bífida”, se calhar dos anteedentes. A segunda - em que eu nasci - precisou de talas para se endireitar e pecou por ter sido demasiado longa. Esta terceira, teve, é verdade, grandes estadistas. Só que começou num caos. De cravos mal distribuiídos. Para mais, os melhores dos estadistas, por circunstâncias várias, onde se inclui um assassínio, já estão no repouso eterno e os poucos que restam saíram do activo e passaram o prazo. Estamos feitos. Venha a benzina… n De procedimentos judiciais sou pouco entendida, só me parece que a respectiva estátua simbólica já merecia a sua bengala. O caso da menina de Torres Novas (e já não julgo quem tenha razão, por falta de elementos probatários) merece-me, no entanto, um comentário: se não houve ali ardil, parece. A criança vai passar o Natal… e o Natal foi para ficar, com neve ou sol, iremos ver. Dou toda a razão ao Dr. Vilas Boas, do Refúgio Amboim-Ascenção, no Algarve, que afirma peremptóriamente que a mente daquela criança nunca se recomporá. Fala quem, na prática, lida todos os dias com problemáticas destas e sabe o custo que elas podem ter no futuro equiliíbrio dos petizes. Outros, os que falam ao que parece de cátedra, lá terão outras ideias. Salvo as devidas circunstâncias, ofereço-me como exemplo: fui viver para casa dos meus avós paternos um mês antes de nascer a minha rmã, treze meses mais nova que eu, dois anos e tal antes da vinda ao mundo do primeiro varão da prole, três e tal antes do segundo, cinco ou seis antes do terceiro… Naquela altura, a demografia era levada a sério… Não fui “oferecida”, como a Esmeralda, aos “segundos pais”. Com tanto irmão a vir ao mundo, fui ficando nas melhores condições que me oferecia a capital, em detrimento das comarcas “fajutas” onde meu pai, magistrado, ia assentando “acampamento”. Estava com meus pais todas as férias escolares e eles vinham a Lisboa sempre que a oportunidade se lhes apresentava. Perguntem: era infeliz a minha infância, longe dos pais biológicos? Não! Tive uma infância a felícissima. Gostava de estar semanas ou meses com pai, mãe e irmãos? Gostava!, Mas tinha a certeza que regressava ao meu “habitat” natural, que era assim que o sentia. E cá estou, sem traumas ou desvios neurológicos, ou lá como lhe queiram chamar. Equilibrada. Inteira. Com muitas saudades de todos eles, que há tantos anos foram partindo e da infância e adolescência que, cada um seu modo, me soube proporcionar… Posso afirmar que família-fixa e família de visita souberam - e de que modo! - zelar pelos meus mais verdadeiros interesses, do nascimento à idade adulta.
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