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Clube da Venda Nova: Em frente da televisão horas a fio a fazer zappe

por Redacção Soberania em Janeiro 16,2009

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O dr. Amorim Figueiral, ilustre médico, mestre em bioética e ciências das religiões e reputado hermeneuta, depois de rebuscar em registos poeirentos documentos de tempos imemoriais, na sua tomada de posse de Provedor da Misericórdia, fez um discurso assombroso, erudito,verdadeira lição de sapiência, no meio do qual sublinhou:
“Antigamente - proferiu as palavras pausadamente e com vogais abertas - existiu no paleolítico superior, milhões de anos antes de Cristo, o homo sapiens, ou homem inteligente, que evoluiu gradativamente para o homo zappens, que é o homem actual, que fica em frente da televisão horas a fio a fazer zappe. Para chegar a este estádio, combinadas as teorias de Darwin e as leis de Mendel e a genesis da Bíblia, concluímos que não sabemos se o homem foi feito de barro ou se descende de qualquer símio ou peixe”.
Respirou, bebeu uma golada de água e continuou: “É evidente que se o Adão tivesse sido o primeiro homem, teria vivido numa caverna e não no Paraíso. E está provado que  educou muito mal os filhos porque o Abel chateou-se com o Caim  e não esteve com meias medidas - matou-o com uma faca de pedra lascada ou com uma calhoada na cabeça, não se sabe bem! Não vamos pensar nesta história triste e vamos falar do homo habilis que antecedeu o homo sapiens e era dolicocéfalo. Estes cavernícolas ou trogloditas manifestaram o seu amor pelas mulheres a puxarem-lho o cabelo e a a darem-lhe mocadas nas costas e assim já demonstraram alguma solidariedade humana e amor para com o seu semelhante”.
Falou seguidamente de ética, altruísmo, caridade e concluiu:
“Veio depois a D. Leonor, que já pertencia à categoria do homo solidarius e fundou a Primeira Misericórdia, com carácter de Confraria e Irmandade, inspirada na caridade cristã. Hoje, como sabem, há as confrarias que se inspiram noutros valores - no nabo, no bacalhau,  na broa, no leitão, nas fogaças e que também têm uma opa e os seus membros  tratam-se, como nós,  por irmãos”.
No final, foi muito aplaudido e cumprimentado e foi-lhe pedido o texto brilhante para publicação.

*** * ***
Continuam as obras da rotunda da ex-chávena e da avenida das ex-palmeiras. O terreno foi esventrado, a terra removida e não se sabe o que é que lá vão fazer.
O Joaquim da Trigal, intrigado, pergunta a toda a gente o que é que lhe vão pôr à porta?! Até que o José do Candeeiro o informou, exultante:
“Já sei o que é que vão pôr na rotunda, é um relógio para medir a temperatura..”.
“Ora, você não deve estar bom, se é para medir a temperatura é um termómetro, não é um relógio-retrucou o Joaquim da Trigal”.
“Não estou nada maluco - respondeu o Zé - é que o relógio é de sol e mede as horas e a temperatura”.
“Então, só dá horas se houver sol...”, refutou o Trigal.
“Não - respondeu o Zé com convicção - está tudo programado. Põe-se um holofote no prédio da Caixa e à noite, ou quando houver nuvens, acende-se e faz as mesmas vezes, porque o ponteiro está lá!”.
O Joaquim da Trigal virou as costas, desconfiado e murmurou: “Só depois de ver é que acredito!”.





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