A pégada hunana
n Acode-me à ideia um aforismo: “A vida é bela, nós é que damos cabo dela”. Reflicto: se a vida continua a ser um mistério, a terra é um milagre em que todas as espécies conduzem ao equilíbrio. Após, dizem os estudiosos, 400 milhões de anos em que o Big-Bang explodiu em luz e retalhos de vida, o nosso pai Homo-Sapiens é um “jovem” com duzentos mil, que, só à sua conta modificou todo o Universo. Para o bem e para o mal. Aprendemos a adaptar a espécie humana a todos os solos e climas, deles usufruindo o melhor que deles podíamos tirar, mercê da centelha de inteligência que o criador (assim o creio) introduziu nos nossos cérebros. A evolução é um facto: poderemos concluir que somos orangotangos mutantes? A cada um sua respeitada opinião! Facto é que o primeiro ser humano distinto da restante vida animal se foi moldando à Terra, onde surgiu e com a paciência e o amor que ela lhe merecia foi descobrindo a energia nela armazenada. O carvão, o gás, o petróleo, os minérios. E assim se foi libertando de sacríficios sem nome! A mão d’obra e a capacidade inventiva de cérebros inteligentes modificaram totalmente a terra. De tal modo que a danificaram também: comodismo e bem-estar versus exaustão de recursos. A eles temos direito, é verdade. Só que o Planeta, à semelhança de qualquer brinquedo demasiado manipulado, modificado, esfrangalhado, pode perecer e, por isso, as reservas do nosso mundo, podem também depois de tropelias várias, estar à beira do esgotamento que pode conduzir a uma massa a inerte. Por outras palavras: a ambição de prosperar, está a ameaçar a necessidade de sobreviver. A fome afecta quase mil milhões de seres humanos e dela deriva o por vezes terrível espectáculo das migrações, sobretudo quando mal sucedidas. As necessidades energéticas dos países ricos são extraídas dos solos dos países pobres que, porventura, não têm engenho ou disponibilidade económica para deles usufruir e os vão vendendo para milhentas indústrias de bem-estar. Indústrias mais atidas ao lucro, que à prudência! Desta ganância, surge o efeito do aquecimento global que pode engolir-nos a todos, numa avalanche de dióxido de carbono. Isto, sim, será o fim do mundo que gerações de homo-sapiens, mas pouco sábios, vão conduzindo à destruição. Pensemos no Dubai, uma espécie de culminar do mundo ocidental. Não tem praticamente recursos: importa-os. É como um símbolo de todas as riquezas da terra e desse mundo vai esgotando o que de essencial a Natureza oferece. É um exemplo! E é de estarrecer. n LM - 18-12-09 PS: Este escrito “saiu-me dum jacto” e, se pareço alarmada é porque realmente começo a está-lo. Sou insuspeita de fundamentalismos ecológicos e até por vezes sua crítica, mas que há que cessar de maltratar o nosso mundo, há! Como já ouvi dizer: ele não nos pertence; é herança que temos de deixar aos nosso filhos e aos filhos destes. Em bom estado, se possível. n LM
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