Clube da Venda Nova: Vem aí uma arruada de políticos de pacotilha
Domingo passado, no final da Taça de Portugal, um grupo animado de pessoas vinham em tropel, tocando buzinas, bombos e pandeiretas, todos vestidos à Porto e com o cabelo pintado de azul, com o mudo à frente, exibindo o dragão tatuado no braço e a tocar uma corneta de ar comprimido e a Guida Dragona agitando uma enorme bandeira dos super dragões. Na esplanada da Trigal, estava, refastelado e a sorver vagarosamente tragos de café, o Brás dos Kiwis que, ao ver aquele movimento, disse com acrimónia para o Acacito: “Abriu hoje a campanha eleitoral e já vem aí uma arruada de políticos de pacotilha que vão encher a rua de papéis!!!”. “Olhe que não é, não há nenhum partido com bandeiras azuis e brancas, deixa-me ir ter com eles, é o FC Porto em festa, este ano ganhámos tudo!”, disse o Cacito. “Ganharam tudo porque deram-vos o campeonato – intrometeu-se o Guapo, com veemência - os árbitros roubaram mais de 30 pontos ao Benfica... penáltis, amarelos, vermelhos, era bem feito que ninguém fosse aos estádios”. Os portistas colonizaram a esplanada e com o barulho que faziam nem ouviram o que foi dito. E ainda bem! O Joaquim da Trigal assomou à porta, acompanhado do Manuel Farás e disse, encolhendo os ombros: “Eu sou do Sporting, mas como ele nunca ganha, já nem pergunto os resultados. Mas tenham calma que eu até vos ofereço uma bebida a cada um”. E virando-se para o interior pediu à empregada Céu Fora de Jogo: “Manda para aqui uma garrafa de água de Luso da toneira para cada um”. O Pelé Bancário, tirou o cachecol do Porto e aceitou com relutância: “Água? Se fosse um finito fresquinho é que caía bem!”. “Um fino não pode ser – respondeu o Joaquim da Trigal – já desligámos as máquinas porque vamos fechar por um mês para obras... A conselho aqui do Engº Farás vamos criar uma organização diferente...”. “É verdade - esclareceu o Farás – depois de ter feito um estudo com indíces macro e micro económicos, sondagens do mercado e aplicação das teorias de Porter, Mortensen e Pissarides vamos criar um cluster...”. Ficaram todos pasmados e o Farás continuou: ”Como sabem, a Trigal tem registada a patente da bola de leitão. Para a fazer tem que ter um forno de fazer pão e tem que comprar o leitão a uma assador. Como boa estratégia económica, vai construir um forno para pão e um forno para leitão, eliminando o fornecedor!”. “Mas isso são os mesmos a fazer, é só uma empresa”, comentou o Pelé Bancário. “Não é assim, porque ele vai fazer uma sociedade para o forno do pão, outra para o forno do leitão e outra para comercializar o produto final”, continuou o Farás. “Como penso exportar toneladas de bola e os políticos andam para aí a pregar que apoiam as empresas exportadoras - espero que não mintam! - cada uma das minhas empresas pede um subsídio!” concluiu, com satisfação o Joaquim da Trigal. “Julgo que é uma medida inteligente!”. O Brás dos Kiwis logo ali, num guardanapo de papel, escreveu este poema: O Poster e o Pissarides Que não sei quem são E o Manuel Farás Dizem que o Joaquim da Trigal Vai ganhar um dinheirão A assar leitão Num forno a vides E a cozer o pão Num forno a gás E viva o Brás!
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