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Clube da Venda Nova: Agora já não há remédio

por Redacção Soberania em Agosto 31,2012

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Um grupo heterogéneo de pessoas com ar sisudo e cenho carregado, atravessaram em marcha lenta a Praça em direcção ao Clube, levantando tabuletas com dizeres amargos de contestação: “Abaixo o derrube e a insensibilidade”, “Viva o ambiente”, etc...
Eram ecologistas, paisagistas, urbanistas, ambientalistas, ornitólogos e passarinheiros, frequentadores habitués dos mentideros e outros.
O Gil Pedalais, para evitar alarido, recebeu-os no salão nobre e mandou-os sentar para que a posição os serenasse.
“Estamos aqui com manifesta indignação para mostrar o nosso repúdio pelos actos que pratica ou manda praticar, com agressão do ambiente de toda a cidade” – afirmou com veemência, o Alberto Marquês.
“Não me diga que está contra a pintura dos bancos da Rua de Cima e da escadaria do Adro e das pegadas pintadas  no chão, que dão tanta cor à cidade!” - perguntou, mostrando-se surpreendido, o Gil Pedalais.
“Não, não é só por isso que aqui estamos, mas é principalmente por ter arrancado as árvores dos jardins e ruas e, sobretudo, os da avenida”.
“Ora, ora, derruba mais árvores um madeireiro num dia do que eu em todo o meu mandato!” - exclamou o Gil Pedalais com alguma ironia - “e também mandei cortar muitas no Casarão, para fazer o pólo industrial...”.
“Pois é, mas não estavam na avenida, onde é que está a sombra que nos abrigava quando tomávamos café?” – interrogou, com ar nostálgico, o Santos Selva.
“E os passarinhos, onde é que vão pousar e fazer o ninho?” - perguntou a Benilde Ramalhete, com a lágrima ao canto do olho.
“E os cães? Coitados, têm que se servir agora dos postes!” - resmungou o Braz dos Kiwis.
“Tudo isso foi bem ponderado – obtemperou o Gil, com um sorriso cativante - é verdade que arrancámos essas árvores da avenida, mas fizémo-lo porque, depois de muito reflectir, tivemos medo que caísse um galho na cabeça de uma pessoa que fosse a passar ou que estivesse na esplanada a tomar café...”.
“Ou até - acrescentou o João Piedoso - alguma cagadela de pássaro na cabeça ou na bebida de alguém... Suponham que era uma pomba ou um milhafre, as pessoas ficavam indignadas e depois vinham-se queixar ao Clube!”.
O Engº. Zé Neves dos Cantos levantou-se, tossicou e disse compenetrado: “Desculpem, mas havia uma solução para esses eventuais acidentes”.
Fez-se silêncio e ele continuou:
“Traziam-se os chapéus de chuva, ou de sol, como lhes queiram chamar, que estão a cobrir a Rua de Cima e punham-se debaixo das árvores, para aparar o que viesse!”.
“Essa ideia não era má, mas agora já não há remédio - rematou a Excelsa da Corga - estão cortadas, estão cortadas! Mas não posso deixar de realçar a beleza e a criatividade dos cartazes que vocês empunham”.
*** ***
Mais uma vez a Urgueira, como em todos os agostos, abriu as portas para receber romeiros, com fartos e saborosos farnéis, que ali vão assistir ao milagre da Srª. da Guia, facto estranho e misterioso de um homem que entra num forno quente, com roupa de burel e sai de lá com uma enorme broa, com um cravo na boca e sem se queimar.
O Manuel Farás, principal protagonista deste milagre e que também pertence à Confraria do Botaréu, comeu uma taça de papas da Confraria da Abóbora, bebeu um copo de morangueiro e entrou no forno com um saco pendurado na barriga, ajustou a boina e saiu de lá de dentro com uma grande broa.
A Drª. Paula de Barrô, que andava a dançar com o Grupo dos Serranos, descalça e com o traje da Confraria, ao ver aquilo,  exclamou:
“Sou como S. Tomé, não acredito neste milagre, de certeza que o forno está frio, se não ele queimava as mãos na broa!”.
O Zé do Candeeiro, que ouviu aquilo, disse gaguejante: “Ai não acredita que o forno está quente? Então experimente a ir lá dentro que sai de lá como um frango de churrasco!!!”.

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