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Estamos em tempo de partilha: é o Natal! Cada qual vive-o à sua maneira, como pode, e, nos dias que vivemos, a contar todos os tostões para não falir os bolsos e ir contentando a família que espera prendas e desejos satisfeitos. 1 - Olho para os jornais e vejo que o Governo, simpático e solidário, como gosta de se mostrar, “oferece” empréstimos a quem mais precisa - desde que sejam funcionários públicos. Até, vejam lá, essa verba verdadeiramente irrelevante e anedótica que é qualquer coisa que anda na volta dos 600 contos. Acho uma vergonha! Na verdade, se um funcionário público é tão mal pago que precisa que o Estado lhe empreste esse dinheiro, é porque o Estado não é justo com ele. E o que fará o Estado, depois, para receber o crédito? Nacionaliza a dívida?! 2 - Outra “cara” da questão tem a ver com a selectividade do emprestado: funcionário público. Tem de ser funcionário público, ou não há nada para ninguém. Então e eu, e a maioria dos portugueses (que não são funcionários públicos), não temos direito ao empréstimo do Estado? É aqui que entronca a velha dúvida e a perene certeza: há realmente portugueses de primeira e de segunda! Ou de terceira! 3 - Razão e lógica tem, digo eu, um empresário de restauração da região que, tendo o seu lucro natural, o vai dividindo com aqueles que mais precisam e lhe estão mais próximos. Assim, e todos os anos, em vez de despejar impostos nos cofres do Estado, divide-os em consoada natalícia com a sua e nossa gente. Assim sendo, sabe que quem “come” o que dá - e dá porque gosta e é solidário... - é gente do seu chão e que precisa e não quem, sem vergonha, se almofada nos gabinetes próximos do poder, comendo e bebendo, e governando-se à conta do orçamento do Estado. Que é o nosso orçamento. 4 - Como estamos em Natal, comunguemos todos da mesma mesa: sejamos irmãos e amigos. Discutamos as coisas mas sejamos actores da construção de um mundo melhor. n CV
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