Clube da Venda Nova: o melhor ainda era fazer uma confraria
O Manuel Tampos de Espinhel e uma comissão eleita por nomeação directa, porque é bonito, realçante, de bom tom e está na moda, também arranjaram uma freguesia para a tornar gémea, à semelhança de outras terras como, por exemplo, Belazaima, Águeda e Avelãs de Chemin. Fizeram o pacto e mais tarde se verá se as gémeas são parecidas ou não. ”Falta-nos o know-how, temos que arranjar alguém que saiba disto”, disse o Juvenal Martírios. “Há aí vários que têm o saber feito de experiência como, por exemplo, aqui o Mar e Sal, o Silva Frango e o dos Farolins, o Castro Agridoce, o José Carlos Filippers, etc.”, disse-lhe alguém, do aldo. “Bem - disse o Mar e Sal, assumindo ar doutoral e conhecedor - antes de mais, temos que saber as distâncias e os meios de deslocação, se couberam todos numa camioneta, como os de Belazaima, é logo meio caminho andad”. “Alto lá - interrompeu o Zé Carlos - nós somos muito mais! Só o grupo dos Serranos, enche meio autocarro. E depois onde é que se põem os cestos dos chouriços e as panelas dos rojões?” “Bem - disse o Manuel Tampos - isso vê-se depois, o pior é que eles são muito mais do que nós, somos só um terço, temos que mandar fazer uns estatutos bem feitos de modo que eles não tenham a maioria”. “Teremos que melhorar as nossas infra-estruturas, as nossas instalações hoteleiras, arranjar um estandarte e o melhor ainda era fazer uma confraria...”, acrescentou o escritor Manuel Carvalhal, acrescentando: “Até posso começar a escrever sobre isso”. “Não se esqueçam de uma coisa - disse, judiciosamente, o Mar e Sal - é dos discursos e de um ou dois oradores de serviço, para falarem no fim de cada encontro, à mesa. O Deniz de Bouquets, muito habituado a geminações, apresentações e comemorações, avisou: - Mas não se esqueçam também de outra coisa, ainda mais importante e cobiçada, que são as medalhas que se vão trocar entre as pessoas ilustres de ambas as freguesias. Lembrem-se que Espinhel não tem nenhum comendador e com isto poderemos arranjar um ou dois. O Manuel Tampos, ao ouvir aquilo, disse reflexivo: “Não vai muito com as minhas ideias, mas lá comendador eu também gostava de ser!”. *** O Celestino Vi o Egas afivelou uma barba branca, pôs uma travesseira na barriga, enfiou um barrete vermelho, para dar um tom natalício de paz e conciliação, e andou pelas sedes partidárias, com bonomia, a perguntar o que queriam no sapato do próximo ano. O Figueira Parado, presidentes dos Laranjas, respondeu: “Eu não sou ambicioso, nem estou alucinado, mas as sondagens pessoais e subjectivas que tenho dão-me a certeza de ganhar a maioria no Clube e na assembleia e todas as freguesias. Não quero nem uma voz discordante”. “Eu não quero tanto - disse o José Vidal Rosa - vamos ganhar outra vez o Clube e até admito que na assembleia apareça alguém da oposição, até é bom para animar e espicaçar, se não torna-se tudo muito mole”. ”O Celestino Vi o Egas cheio de calor, porque a almofada era de penas e já estava a comer algodão da barba, saturado, concluiu: “Os rosas e os laranjas querem o Clube e as vinte freguesias! Os populares e os cduu's e o bloco também as querem! Pelos vistos, isto não dá para todos!...!”.
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