Os empancados
Os brasileiros têm expressões engraçadíssimas, que mesmo só eles… E isto não tem nada a ver com o acordo ortográfico, que, felizmente, não mete bico nem na fonética nem em expressões idiomáticas. Outro dia, ouvi um personagem de novela fazer a seguinte consideração: “Não sei porque dar botas a cágado quando ele tem as pernas tortas…Também não sei porque andam os meus caríssimos colegas professores a juntar-se aos mais de mil por Lisboa fora, se a ministra Lurdinhas é o que se pode chamar uma criatura “empacada”. Ela e o seu “boss” Zezinho que, após a manifestação de oito de Novembro, com tal número de descontentes em alfacinhas paragens, veio concluir, nos noticiários, que a culpa é dos docentes “que se juntam em multidões corporativos para ganhar mais uns cobres…! (SIC). n CLONAGEM: Sócrates não vê, não ouve e, quando fala com sua licença!…, ou entra mosca ou sai asneira. É homem para me deixar a pensar, se mesmo uma catásfrofe, do género da de 1755 - o diabo seja cego, surdo e mudo, já bati na madeira! - o deixaria impressionado. Ao menos que ficasse calado, irra! Era mais fácil que tentasse dar cheque-mate ao povão sobre a urgentíssima urgência da realização de muitíssimas mais obras públicas. Sócrates não vê as coisas em cima do acontecimento ou, se vê, já não tem visão periférica e disfarça com pesporrência descomunal e sorrisos grandes. Desgraça das desgraças: a dra. Lurdinhas clonou-se-lhe! Os docentes não se importam de ser avaliados, santinhos!… Querem é que essa avaliação seja feita em moldes, digamos assim, normais. Não tiraram um curso superior para preenchedores de papeis vigiadores de colegas e figuras de cera em reuniões quase tão infinitas, como me eninaram a mim, que era a linha recta. Querem ENSINAR se o Ministério lhes reserva para isso algum tempo. Não são burocratas, são pedagogos! Se é dificil de perceber é matricularem-se no curso (entretanto extinto mas que eu ainda tive de fazer se quis ser professora) de Pedagogia e Didáctica, vulgo Pedagógicas. Cinco cadeiras complementares ao curso escolhido para a via Ensino, que talvez os desempancassem… n ESCOLA E CASA: Ainda hoje, ao cabo de uns anos, tenho saudades, muitas, dos 30 e tal anos em que tive a alegria (e nalguns casos a dei, ainda hoje mo dizem…) de ser professora. Não que fossemos corporativos: éramos colegas, amigos, companheiros de “arte e ofício”, em muitos casos confidentes. A sala de professores era um verdadeiro “recreio” e as salas de aulas um campo de boas experiências didácticas e pedagógicas. Os nossos alunos respeitavam-nos e nós respeitávamo-los. A escola era a nossa segunda casa, a nossa outra família. E agora, colegas?!… Talvez uma imensa secretaria, uma empresa com reuniões consecutivas, salas de aulas para as sobras… n LUISA MELLO 11-11-08
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