Incio : Opinião : A vida familiar: Casamentos, uniões, ajuntamentos… e adopções
A vida familiar: Casamentos, uniões, ajuntamentos… e adopções
l Em meio do clamor universal em torno da “falência capitalista” - e ponho aspas à volta da incómoda palavra, porque o capitalismo costuma regenerar-se por si mesmo... - em Portugal discutiu-se animadamente o muito premente assunto do (sim ou não) casamento dos homosexuais. De certo modo, foi uma obra de misericórdia, que sendo a questão muito mais leve desvia a atenção e a aflição dos nossos compatriotas do barulho da implosão financeira. Foi assim como uma espécie de manobra de diversão. Ora eu tenho para mim que as leis e as salsichas o melhor é nem querer saber como são feitas e se esta lei não passou (ainda) é porque lhe faltam, por enquanto, quaisquer ingredientes, ou, pelo contrário, lhe estão sobrando... Em primeiro lugar, devo dizer que, a mim, a questão interessa tanto como as particularidades do sistema ortorrômbico, estudado na excomungada disciplina de mineralogia dos meus tempos de liceu. Ainda hoje ignoro a coisa, só o nome é que me não esqueceu, porque sempre o achei exótico... Estou, pois, confessada. A mim, tanto se me dá que maridos digam o sim a maridos ou as mulheres a mulheres. Acho um bocado exótico, também, mas o interesse é o mesmo: nulo. A idade já não ajuda a grandes entusiasmos por causas semelhantes. Se há qualquer opinião que tenha formada por dentro da suma indiferença, é a de que a palavra casamento não é propriamente a que melhor condiz com os eventos. Se chamam “uniões de facto” a um casal, homem e mulher, a quem só falta a ida ao civil, porque não chamar união homessexual a estas situações mesmo que o Registo em Conservatórias as abençõe? Onde pára o orgulho gay, a querer-se comparar com a caretice dos que preferem o sexo oposto para governarem vida e, se possível, deixar mais vida no planeta? E aqui se toca noutro ponto: a adopção de crianças por famílias de sinal único. Nada contra! A base de um crescimento saudável, física e psicologicamente, é para qualquer criança o amor, o carinho, a atenção que lhe é dada. Coisa que pode acontecer quer os adoptantes sejam dois pais ou duas mães. Muitíssimo mais aberrantes são as violências várias (quantas vezes levando à morte física ou moral) sofridas por menores dentro das próprias famílias biológicas e que são, essas sim, intoleravelmente anormais. Muito pior é ter crianças em “aviários” anos e anos, carentes de família, seja ela qual for! Horrendo as que, à guarda do Estado, passam pelo inimaginável... Para aligeirar: já Alexandre Dumas (Filho) dizia sobre os matrimónios então admitidos o seguinte mimo: “o casamento é como uma fortaleza sitiada: todos os que estão fora querem entrar; todos os que estão dentro querem saír...”. Parece que até foi tendo razão, mesmo antes do tempo... Quem quer entrar agora na “fortaleza sitiada” são os que até há tempos eram libérrimos de “grilhetas” oficiais. Lá que tem a sua piada, tem. l Os anos pró e durante eleições são explêndidos. Nem chuvas de estrelas, nem arco-íris, nem auroras boreais se lhes comparam em celestiais belezas. Não há nada melhor para espevitar os governos no sentido das benditas obras de misericórdia. Sentimo-nos no reino de Aladino: é só formular desejos que os milagres acontecem. Cá por mim, confessa devota de S. Tomé, meu santo onomástico e adepto da ciência de experiência feita, ainda o ultrapasso (que não estou a lidar com o Senhor Jesus Cristo!) e agrego-me aos compinchas de Bordalo Pinheiro: “Queres? Toma!”. Bordalo sabia bem os vários sentidos do verbo tomar. Na mesma linha, gostei muito do futuro orçamento do Estado. Pensei mesmo: ora toma! Estes maganos sabem mais a dormir que um país todo acordado...”. Se alguma coisa me calhar na rifa, desde já atenta, veneradora e grata!... Podia ser, por exemplo, um IVA mais condoído - e estou a pedir para todos. É capaz de ser demais mesmo em orçamento eleitoralista, que as Economias andam de péssima catadura. (O jeito que nos dava agopra um Alves dos Reis!). Milagre conseguido, podia até ser o ministro das Obras públicas, sempre pródigo em boas notícias e no seu contrário, a anunciar a novidade, que seria verdadeira obra de tomo! Mais sorridentes amabilidades do primeiro-ministro é que não: caía na deselegância de alinhar frente à televisão mas malcriadices do Bordalo... n LUISA MELLO 19-10-2008
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