O azeite e a água
Quem chegasse agora vindo do espaço sideral, no intuito de fazer uma visita à Terra e aqui ficasse alguns dias, logo descortinaria as duas principais preocupações dos portugueses: futebol e casamento entre pessoas do mesmo sexo. O primeiro lugar das preocupações é (era) ocupado pela classificação do pelotão dianteiro do campeonato de futebol do mundo a realizar no próximo verão na África do Sul. Em segundo, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ou seja, uniões homosexuais. Conseguida a classificação para o campeonato do mundo de futebol, com a ajuda preciosa de algumas dezenas de pontapés apontados às traves das balizas, as preocupações concentraram-se quase exclusivamente na legalização dos referidos matrimónios unissexuais. Legalização essa a qual o governo deu a maior prioridade e que deve ser votada logo a seguir ao Orçamento de Estado. Parece anedota mas não é. Na realidade, o que está em causa, contrariamente ao que muitos podem pensar, não é a orientação sexual de cada um, mas a catalogação como “casamento” das uniões de pessoas do mesmo sexo juridicamente reconhecidas. Porque chamar casamento a uma união, embora reconhecida juridicamente, entre pessoas do mesmo sexo, é o mesmo que tentar misturar o azeite com a água, devido a quaisquer consequências daninhas, mas, simplesmente, à impossibilidade de se misturar as duas substâncias. Por mais que se procure o contrário, o azeite e a água recusar-se-ão sempre em misturar-se embora possam conviver pacificamente. Juntem-se assim, os homens com os homens e as mulheres com as mulheres, mas não “casem” uns com os outros porque isso representará uma fraude não apenas jurídica mas linguística e até mesmo moral. n MJHM Director honorário SP
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