Da Ética à Estética, o vazio da Nação!
Ao trazermos à colação o desabafo existencial de Ortega - “eu sou eu e a minha circunstância”, fazemo-lo na estrita convicção de centrar no essencial da polémica de que só agora - distraídos pelas faroladas Scolarianas das grandes vitórias que estavam reservadas à Selecção Nacional, no âmbito do continente europeu, ou mesmo ao nível do espaço mundial - tomamos conhecimento do tremendo equívoco do futebol nacional. Do qual os nossos clubes mais representativos, nas últimas prestações do confronto das provas europeias, não escaparam à humilhação que, praticamente, tem sido uma constante; O que, aliado à ausência de representatividade a nível de futebol de formação, onde não há sequer um escalão etário que nos mereça um mínimo de relevância, restar-nos-á apenas o que nos vier a ser ofertado pela Selecção A, último bastião do que resta da lusa esperança. E se do quadro do futebol formativo o actual seleccionador nacional já o terá colocado sob a esfera da sua Supervisão - onde é tido justificadamente por um expert - oxalá, nos possa ainda surpreender por alguma forma de originalidade que no passado fora o suporte das vitórias mundiais, entretanto conhecidas, que fizeram furor no mundo da bola. Sendo porém, o mesmo não possa já dizer-se da sua participação ao nível do futebol sénior - apesar do périplo das suas múltiplas experiências, pelos mais variados clubes e países de grande parte dos cinco continentes onde as suas continuadas prestações vestiram pelo figurino da incompatibilidade com o futebol desse escalão - nem tudo se terá perdido em termos vivenciais. E daí, não fazer sentido, já que nem sempre há uma segunda oportunidade para uma má impressão da primeira - e Queiroz está a tê-la! - por que há-de agora pretender elevar, gratuitamente, a fasquia das dificuldades pela garantia antecipada de um trabalho de excelência a que diz se vai entregar de alma e coração? Será, porventura, por aquele seu pendor megalómano de que o não sabe fazer de outro modo, sem todavia o pleno domínio do seu controlo que a mera suspeição do imprevisto aconselharia: esse elemento que funciona como o coringa nas cartas, que se é capaz de alterar o valor das coisas, pode ainda dar um novo endereço ao destino dos homens, como será o seu caso, pela mais oculta das razões que lhe havia de merecer uma outra ponderação... Mas não retire desta advertência a irrelevância duma mera opinião porque ela bem pode representar muito mais do que isso: ou seja, o sentimento obviamente criativo de quem sabe do que está a falar e da forma de actuar dos actores em cena. O que, inapelavelmente sugere que se não houver rectificação de rota, não há contracto por maior que seja o espaço temporal de vigência e em espécie, por que tenha sido conseguido, num momento de rara fragilidade do grupo decisório da F.P. de Futebol, que resista ao vendaval de uma nova desilusão. E quem avisa…
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