Agueda-a-linda que tão mal cheirosa vais!
por JCS em Setembro 29,2008
Acabadas as férias, o retorno às lides diárias que, tentamos, não assumam um carácter rotineiro, faz-nos ficar por casa, pela nossa cidade, e é nos fins de semana que tentamos imputar uma matriz diferente, sempre que possível, dos cinco dias que passaram ou dos cinco dias que nos esperam.
É assim que, entre uma ou outra reunião ou tarefa que se guardou para estes dias, ou um ou outro compromissos familiares, arranjamos um tempito para passear por esta Águeda que queremos ver, cada dia, um pouco mais aprazível, um pouco mais “amigável” para quem ainda acredita que haverá um tempo em que dará mesmo prazer calcorrear as nossas ruas ou usufruir do nosso rio. E foi nas margens do rio que eu escolhi dar um passeio no passado domingo, respondendo ao desafio de um sol extraordinário, quase de uma manhã de verão. Foi nas margens do rio que eu deparei com um espelho de água que de espelho não tem nada... Uma água castanha, parada, quase putrefacta... Que espectáculo desolador! Subi um pouco mais e, perto da ponte velha, lá estava atracado o “pato bravo” que ainda tinha a bordo o resultado de uma faina.. Mas de novo senti um cheiro terrível, que vinha da visível descarga do esgoto que ali desemboca no rio e que exibe os mais variados detritos... Ali, onde tanta gente passa para ver Águeda-a-Linda (?), que vergonha!!!... E nós, quem nos visitam e os canoístas, a conviver com esta degradação... Apenas meia dúzia de passos à frente e o aroma refinava e nascia do fundo da escada das casas de banho, por debaixo da ponte... Meus senhores, se não têm condições de manter as instalações com dignidade, fechem-nas!! Melhor, selem-nas porque, mesmo fechadas, aquele horrível cheiro viria com certeza por aí acima... Outra meia dúzia de passos volvidos e de novo o ar infestado por um cheiro que exalava de uma caixa de esgoto mesmo ao lado da esplanada. Estive tentado a desistir do meu passeio Afinal, não tinha sido o melhor sítio para dar um passeio antes de almoço... Mas lá fui “ver as obras”... Tive oportunidade de dar algumas sugestões quanto áquela construção, como era minha obrigação, e as pessoas fizeram o favor de me ouvir. Mas... só isso. Julgo que os engenheiros ou os arquitectos, ou fosse lá quem fosse, não estavam a pensar, quando projectaram aquele espaço, sentar-se um pouco num degrau do anfiteatro que a configuração do terreno e mesmo a dimensão das pedras permitia sem qualquer custo adicional e sem o risco das cheias destruir. Também não viram que precisamos de sombras que nos protejam de um sol, que naquele espaço faz concerteza estragos e, dessa forma, permitir-nos parar um pouco e olhar durante algum tempo o rio, fixando o pensamento em tantas brincadeiras passadas nas suas águas, que eram as nossas praias. E vim triste. Triste por não sentir a necessidade de lá voltar tão cedo. Triste por sentir que, afinal, o nosso rio está tão distante de nós, daquilo que queríamos que fosse.
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