Opinião: Sobre multas e outras reflexões
Águeda não gosta das suas gentes! Águeda, enquanto entidade singular e concreta, formada pelos que nela habitam ou trabalham, não é bem tratada pela Águeda colectiva e abstracta. Por este motivo, entre outros, Águeda é uma cidade só e triste, abandonada aos fins de semana e aos dias de semana, a partir das 19 horas, porque não cativa e não consegue despir a sua farda de provincianismo que a impede de ser maior, mais apelativa e sobretudo, mais amiga das suas gentes. Isto é, da Águeda singular e concreta que tem muita gente boa, trabalhadora e tantas vezes generosa... Águeda poderia ser uma cidade referência, não só no distrito de Aveiro, mas também em toda a Região Centro, mas foi perdendo terreno nos últimos anos, anulando oportunidades e deixando as suas congéneres vizinhas passarem à frente. Fazem falta, ao concelho e à cidade de Águeda, homens com a capacidade e visão de um dr. Horácio Marçal, ou o bom-senso de um saudoso engº. José Júlio Ribeiro, só citando dois dos mais recentes nomes que passaram, respectivamente, pelas presidências da Assembleia e da Câmara Municipal. Fazem falta a Águeda (e ao país também), homens que saibam o que fazem e, sobretudo que saibam discernir os caminhos a seguir! Fazem falta a Águeda (e ao país também), homens que falem menos e façam mais, mas principalmente que façam melhor! Águeda não pode, ou melhor, não deve ser apenas o “palco” da Festa do Leitão e dos “AgitÁguedas “, convidando, de quando em vez, meia dúzia de Secretários de Estado e dois ou três Ministros, para ter o seu meio minuto de destaque nos telejornais da noite. Isso é bom, mas não chega. Assim como não chega ter uma biblioteca municipal com o nome do poeta Manuel Alegre: precisamos de mais, merecemos mais! Águeda merece mais! Merece uma ligação rápida a Aveiro; merece uma ligação directa à auto-estrada Lisboa-Porto; merece um hospital que dignifique quem nele labora e quem nele é tratado; merece um tratamento justo em Lisboa, nos órgãos do poder central, não sendo subserviente perante as arbitrariedades dos actores do poder. Não basta fazer lindos arruamentos e parques de estacionamento que, zelosa e diariamente nós vamos pagando. Mesmo para isto é preciso saber, ou melhor, saber fazer, com compreensão e tendo presente que não existe Águeda sem aguedenses, nem comerciantes sem clientes. Por este andar, não será de estranhar vermos um destes dias as ruas da cidade reduzidas a meia-dúzia de pessoas, o que só vem contribuir para aniquilar o já quase moribundo comércio das suas ruas! Será isso que queremos? Não pode ser! No entanto, é o que nos ocorre quando passamos nas artérias da cidade e vemos como é efectuado o controlo dos estacionamentos pagos! É verdade que a Câmara necessita das receitas provenientes das coimas e longe de nós questionarmos sequer a legitimidade da mesma para as aplicar! Não é isso que colocamos aqui em reflexão. O que aqui colocamos em reflexão é o bom senso na sua aplicação, para que a “cura” não mate o “doente”, sob pena de se subverter uma obrigação de cidadania num acto coercivo e diário de taxação municipal. Tão só e apenas isso! É preciso haver da parte de quem aplica a lei, seja ela qual for, sensatez e razoabilidade, pois, muitas vezes, a sua aplicação “ipsis verbis” é contraproducente!
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