O País está em crise?
A crise é geral e atravessa o País em quase todos os sectores da vida nacional. É a crise social e familiar (atente-se nos divórcios e nos processos judiciais), é a crise de valores éticos e morais (vejamos os poisos nas bermas da estrada, as casas de alterne, as cadeias a abarrotar e os casos de policia a entupir os tribunais), é a crise na economia e no emprego (observe-se o número de falências e as consequentes manifestações de quem já não tem salário ou o vê ameaçado, recorrendo aos mais obscuros estratagemas para sobreviver) e é a crise nos tribunais, nas escolas e nos hospitais (repare-se nos protestos de rua que nunca foram tantos). É a crise a chegar aos órgãos de soberania (atente-se nos desaforos insulares e na comunicação feita ao País no dia 31 de Julho por Sua Excelência o Presidente da República, mas leia-se o que ele disse nas entrelinhas, bem mais sintomático da crise do que os recados que escreveu nas linhas. Apesar de tudo, o País vai de férias! Alguns, muitos, esfalfam-se por essas estradas fora, fazendo deslocações de centenas, às vezes milhares de quilómetros, gastam o que não podem e endividam-se só para cumprir o ritual (qual crise económica, qual gasolina cara, qual desemprego, quais dificuldades?...) Outros, talvez mais pacatos, de finanças mais débeis, mais realistas ou mais cautos, aproveitam estes dias de folga para saborear a sombra daquela árvore frondosa no quintal, aproveitando para estreitar os laços familiares com um piquenique e, no intervalo, distraem-se na chácara a plantar as couves de Agosto para amanhã não terem que ir ao mercado gastar o último cêntimo. Esses não abalam, fazem férias cá dentro porque não querem faltar aos seus compromissos (não há rendas em atraso, letras por pagar, cheques sem cobertura etc., etc., etc.) e entendem que isso é bem mais importante que andar por aí às voltinhas como uma barata tonta. Esses, por certo, nunca verão os seus salários hipotecados como acontece a uma grande parte dos funcionários públicos e privados deste País. Mas não é de agora essa mania de ir para férias e deixar os compromissos para depois. Ah, mas que más recordações nós temos das irresponsáveis situações a que fomos obrigados antes de nos libertarmos dos incompetentes!... O Banco que espere e os credores que se amanhem, porque as férias são para gozar e não podem esperar. Mas que grandes industriais: Porque não uma estátua?... E, olhem… Boas Férias! n a.a.silva 2008-08-06
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