A falência de um projecto
A 13 de Outubro de 2006, escrevíamos assim: “UBA - a união desunida!”. Passados dois anos, voltamos ao tema e, desta vez, com razões ainda mais fortes para manifestar as nossas preocupações. Dizíamos nós e assim continuamos a pensar: o espírito UBA está ferido de morte e a razão principal é ter ficado exarado em escritura pública que a direcção seria constituída pelos presidentes das Bandas associadas. Depois de testado este sistema, encontram-se os piores resultados porque, se não todos, a maioria dos directores têm dificuldade em se libertar da clubite que os mantêm presos às suas associações, num exacerbado fanatismo que os leva a desprezar o interesse colectivo que era o verdadeiro espírito UBA (cooperação inter-bandas, partilha e entreajuda, transparência de atitudes, lealdade de métodos etc., etc., etc.), espírito há muito, enterrado! Se se quiser salvar a UBA, há que corrigir os erros que os seus fundadores - de que eu próprio fiz parte - cometeram ao entregar a sua direcção aos presidentes das Bandas associadas. Dever-se-á começar por corrigir os estatutos, de modo a que a direcção seja entregue a pessoas com espírito aberto e independente, nomeados pelas Bandas, sim, mas que se mantenham à margem de questiúnculas e, com isenção, olhem para os interesses de todas. Terá que ser alguém com sensibilidade bastante para lidar com os problemas que à música e às Bandas, em particular, dizem respeito porque, de outro modo, já não haverá muito a fazer. Não vamos imiscuir-nos no particular que conduziu ao mais grave momento até hoje vivido no seio da UBA - o eminente abandono da 12 de Abril. Se é verdade que não é a primeira crise, tememos que esta tenha consequências irreparáveis e, se não houver bom senso, pode ser o enterrar do sonho que há 20 anos juntou todas à mesma mesa. Só com espírito crítico, raciocínio aberto, independência, lealdade e tolerância, se restitui a paz ao seio da UBA. Estes foram os ingredientes que estiveram presentes nos primeiros tempos e que proporcionaram partilhar de alegrias, anseios e preocupações das Bandas. Isso é o que faz falta! E falta porque quem tem a seu cargo a responsabilidade de dirigir não encarnou o espírito UBA, não se identifica com ela e é por aí que começam as tricas e o desrespeito pela Associação. Os órgãos sociais há muito foram ignorados, até ao seu completo desaparecimento. Por onde andam a Assembleia Geral e o Conselho Fiscal? Foi o desrespeito por essa estrutura, garantia de estabilidade, que nos levou a afirmar, há anos, que já não existia UBA, para grande desgosto nosso e de todos os que a idealizaram e construíram. Nós mostrámos os erros e indicámos os resultados, mas todos fecharam os olhos, taparam os ouvidos e a união virou desunião. Hoje, infelizmente, as nossas profecias concretizam-se! A UBA há muito que está ferida de morte, só falta fazer-lhe o enterro e, por esse feito “glorioso”, os seus carrascos vão ficar na história! Mataram-na quando egoisticamente puseram interesses individuais acima do colectivo, quando deixaram de se interessar por ela como associação de todos, quando deixou de haver iniciativas e projectos conjuntos, quando deixaram de discutir os problemas comuns a todas as Bandas, quando ignoraram a AG e o CF, quando a direcção UBA cristalizou até entrar na ilegalidade e assim se mantém há muitos anos. Oxalá esta turbulência despolete um movimento que ponha ordem na casa e salve o que resta. Com um pouco de boa vontade ainda se pode ir a tempo! Por nós, enquanto fundadores da UBA, apelamos ao bom senso e à disponibilidade e bons ofícios de todos no sentido de se evitar a rotura. Impõe-se pôr ordem na casa, começando pela estrutura social e institucional, com reposição da legalidade, porque pelos órgãos sociais começa a estabilidade, ou instabilidade, de qualquer organização. Se isso não acontecer, vão ficar históricos os responsáveis pela falência do espírito UBA. n a.a.silva 2008-07-23
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