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Ingenuidade, maldade ou erro grosseiro (?)

por António Silva em Abril 07,2010

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A 24 de Fevereiro de 2006 escrevíamos assim: “Aquele terreno (CM) está todo minado! Por isso, compreendemos a atitude de quem tomou a decisão de contratar aquele, BOY CAPTAIN, na convicção de que os serviços naquela área irão melhorar. Pois, pelo que se ouve em surdina, por aquelas bandas está tudo minado e com necessidade de uma vassourada, quiçá de uma expurga, para que os munícipos se sintam tratados como merecem e num ambiente de trabalho saudável. Oxalá que, quem de direito, tenha sensibilidade bastante para afinar a orquestra e o pulso necessário para por ordem na casa”.
Passados quatro anos e não obstante o esforço de quem está ao leme da nau camarária, parece continuar a haver nos Paços do Concelho muitos passos perdidos, a arrastarem-se em contra-ritmo e, como diria o nosso saudoso amigo e maestro António Gomes: “Aquela orquestra está ainda um bocadinho desafinadíssima”, para logo acrescentar que “com fraca massa, não se pode fazer bom pão”. Ele lá sabia do que falava!
Ora, vem isto a propósito de ter havido nos serviços administrativos da CM um erro que, para além de grosseiro no modo, foi desadequado na forma, ao se processarem requalificações e ajustes aos salários do pessoal camarário no mês de Novembro, sem discussão do assunto com quem tem a superior responsabilidade de governar o concelho e com ajustes indevidos, que iriam custar milhões ao município.
Uma atitude tomada à revelia de quem tem o poder de decisão que, ao tomar conhecimento do erro, logo procurou remediá-lo, corrigindo-o.
Mas o mal estava feito e o poder político que sancionou, de cruz, os salários sem conferir um a um, como se isso fosse
praticável em qualquer empresa, depois de algumas peripécias na fase de esclarecimento, decidiu mandar abrir um inquérito com vista à reposição da verdade, recuperação da legalidade e posterior responsabilização dos funcionários envolvidos neste caso - que actuaram de forma, para além de imprópria, danosa para as finanças autárquicas e para a imagem dos serviços, desde o menos ao mais responsável.
Gostaríamos de acreditar que foi apenas o resultado de uma ingenuidade de alguém que teve uma actuação descuidada e imprudente, mas não descartamos, ainda que como hipótese, que esteja por detrás de tudo isto o dedo de maquiavélicas forças ocultas e ideias pré-concebidas de conturbar o ambiente de trabalho, denegrir a imagem dos serviços e criar desgaste no poder instituído. Há quem ache que, em política, vale tudo!
E se “errare, humano est”, como dizem os latinos, este princípio, com milénios de história, é ignorado sempre que os políticos vêem no erro casuístico do adversário, o objecto de arremesso para levá-lo ao tapete.
E vai daí que, as “virgens púdicas” do alcazar, matreiras e à espreita de um ajuste de contas com o passado, fazem um escarcéu com o assunto que, afinal, estava já a ser já investigado por iniciativa da autarquia. Não obstante, desencadearam um “burburento” processo, na esperança de que estava encontrado o cordeiro para a mesa do sacrifício Pascal.
Fazemos votos para que se apure a verdade e que não seja, este, mais um caso que fica sem um convincente esclarecimento, como aconteceu num passado recente - em que os processos andaram pelos tribunais, sem que o desfecho nos convencesse de que se fez justiça.
Depois, e só depois de apuradas responsabilidades, para transparência dos serviços e satisfação de quem exigiu a presença da  IGAL neste processo, as culpas deverão ser, sem tibiezas, imputadas aos faltosos, com punição adequada, enquanto se ilibam os inocentes, numa demonstração clara de dignidade, justiça e bom senso -  predicados que tanto rareiam nos serviços públicos deste País.
A nossa autarquia (CM) tem sido, nos últimos tempos, um bom exemplo e são muitas as áreas da sua intervenção com reconhecimento nacional e alguns prémios de excelência. Todavia, quando está em causa mudança nas mentalidades há, normalmente, por cada mudança uma resistência e, por cada resistência, diferentes graus de dificuldade, a vencer.
Dificuldades provocadas, quer por medo de perda de estatuto, quer por manifesta incompetência, má formação, autoritarismo, maldade e, às vezes, tudo isso junto são razões de sobra para se criarem entraves ao bom funcionamento das organizações
Os inseguros gostam de pôr areia nas engrenagens da máquina e cascas de banana no caminho do vizinho!
Pela experiencia que a vida nos deu e pelo que tivemos que reformular ao longo dos anos, podemos afirmar que a maior dificuldade que tivemos foi exactamente isso, mudança das mentalidades, a começar por mim.
Dificuldades ainda mais notórias no sector público, onde há funcionários, uma minoria felizmente, cheios de vícios e a julgarem-se indispensáveis e imunes, ao ponto de desafiarem a hierarquia do poder instituído: “Ó senhor presidente, o senhor faz a sua comissão e vai para casa, nós é que vamos ficar por cá!”.
Estas são as atitudes, de hoje e de ontem, de quem acha que tem o lugar seguro. E essa mentalidade, à mistura com um confrangedor défice de formação, quiçá de educação, são os factores principais de todas as incompetências, o princípio de onde germina o desleixe nos serviços e um óptimo ingrediente para manter o desenvolvimento económico e social do nosso País no último dos últimos.
Daí que a excelência do pessoal é a solução mas, com alguma tristeza,
diga-se, é a tarefa mais difícil de conseguir em qualquer organização. Por certo mais notória nos serviços públicos, sabe-se lá se, em consequência dos vícios adquiridos durante decénios.
Quem não se lembra dos refúgios nas baiucas da vila em horas de expediente?
Como dizíamos em 2006: É necessária uma desinfecção por aquelas bandas. 2010-04-01 n a.a.silva


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